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Os segredos de José - III
 

Disse José a seus irmãos: Eu morro; porém Deus certamente vos visitará e vos fará subir desta terra para a terra que jurou dar a Abraão, a Isaque e a Jacó. José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos visitará, e fareis transportar os meus ossos daqui. - Gênesis 50:24-25

Toda visão que nasce no coração de Deus tem um propósito nobre e abençoador porque este é o caráter do nosso Pai. Pena que demoramos tanto a discernir isto e, não raramente, enveredamos por caminhos de soberba e egocentrismo, antes de perceber que a visão ia muito além de nosso mundinho de ambições carnais...

Quando os sonhos de Deus começaram a povoar a alma do jovem José, sem que este tivesse a maturidade necessária para entender o propósito de tudo aquilo, seu fruto imediato foi cisma, divisão. Liderado por Jacó, um pai parcial no trato com seus filhos e que, por isso mesmo, fomentava entre eles um terrível espírito de competição, aquele moço de dezessete anos imaginou que Deus tivesse compromisso em exaltá-lo “sobre” seus irmãos, quando na verdade Deus estava projetando levantá-lo “entre” eles (Gn 3:5-10).

Eis aqui uma das mais eficazes armas do inferno para desviar o alvo da liderança e encarcerar os abençoadores que Deus levanta: o desejo de dominar. Ah, quanta gente tem construído cativeiros para si ao confundir o propósito de uma visão! Somos chamados a servir no templo, mas Satanás nos leva ao pináculo do templo e nos propõe um ministério pirotécnico, onde nos tornaremos o centro das atenções (Lc 4:9-12)...

Quando a visão de Deus finalmente se cumpriu na vida de José, viabilizada pela maturidade e pelo quebrantamento que treze anos de sofrimento no Egito forjaram em seu caráter, percebemos que seu propósito era puramente abençoar, a começar por sua própria família. Ao vê-lo chorar entre seus irmãos, perdoando-os e projetando-os a partir de sua própria prosperidade, finalmente atestamos cumprida a visão em relação à sua casa (Gn 45:1-15). Agora sim, ele entedia que os sonhos que Deus lhe dera no passado nada tinham haver com superioridade, status ou domínio, mas com liderança abençoadora e servil.

Há um sofisma corrente no meio da igreja que diz que a visão, o ministério, nos rouba de nossa família. Até admito que isso seja verdade quando temos um espírito incorreto, como aconteceu num primeiro momento com José. De fato, se não tivermos um coração comprometido em abençoar nossa casa, podemos ser privados dela e o argumento para isso pode ser sonhos ministeriais cheios de ambição. Quando, porém, nosso foco é corrigido e estamos cumprindo a visão de Deus para nossa vida, mais cedo ou mais tarde nossa família será envolvida e abençoada.

Este é o primeiro propósito da visão: fazer da nossa casa um referencial de benção, prosperidade e salvação. Quando nos dedicamos ao ministério que o Senhor nos deu sem deixar que isso quebre o link com nossa família, o que colheremos será ver toda ela envolvida conosco na vontade de Deus.

Numa segunda perspectiva, a visão nos leva a abençoar as nações. A prosperidade do ministério de José abençoou todo o Egito e depois as nações em redor que, fustigadas pela fome, podiam encontrar nos celeiros de Faraó o alívio e a vida.

Creio que isso ilustra muito bem a realidade de uma igreja que entende os sonhos de Deus. Na sua colheita e no seu cuidado em consolidar o fruto, o mundo faminto é atraído e encontra resposta para suas necessidades. E estou certo de que este contraste aumentará cada vez mais nos últimos dias: abundância na Casa de Deus e fome desesperadora no mundo.

Tudo isso aconteceu durante a vida de José, mas o que mais me impressiona é que a visão plantada no coração deste homem não ficou restrita a uma só geração. Quando lemos o último capítulo de Gênesis, percebemos quão amplos são os projetos de Deus, tocando nossa posteridade e descortinando diante de nós uma conquista sem limites.

José poderia descansar, dar-se por satisfeito ao ver sua casa abençoada na terra de Gósen e seu nome reverenciado entre os povos, mas ele tinha uma visão que transcendia tudo isto. Esse é o motivo pelo qual fez seu povo jurar que, ainda que demorasse, não deixaria seus ossos no Egito. Essas foram suas palavras: “Eu morro; porém Deus certamente vos visitará e vos fará subir desta terra para a terra que jurou dar a Abraão, a Isaque e a Jacó. Certamente Deus vos visitará, e fareis transportar os meus ossos daqui” (Gn 50:24-25). Ele sabia que, mais do que abençoá-los circunstancialmente, Deus tinha planos muito mais elevados a cumprir e, ainda que tardasse quatrocentos anos e passasse por duras aflições, era necessário guardar a fé e a aliança com uma visão.

Quando, quatro séculos depois, três milhões de hebreus saem do Egito em direção à Canaã, terra da promessa, José está morto, mas sua visão está viva. Entre tantas riquezas que eles levam consigo, há uma que não tem preço. Diz a Palavra: “Também levou Moisés consigo os ossos de José, pois havia este feito os filhos de Israel jurarem solenemente, dizendo: Certamente, Deus vos visitará; daqui, pois, levai convosco os meus ossos” ( Ex 13:19). Você quer prova maior de que, se um líder tem uma visão e se preocupa em deixá-la como legado às futuras gerações, Deus faz com que ela nuca morra? Que seja assim comigo e com você!

Pr. Danilo Figueira