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Visão Estratégica

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A Comunidade Cristã de Ribeirão Preto é uma igreja em células, estruturada sobre o discipulado nos grupos de doze. Esta é a visão  estratégica que delineia nosso crescimento e o pastoreamento do nosso rebanho. Entenda detalhadamente em que consiste esta visão.

1. O que é uma Igreja em Células?


Uma Igreja em Células é uma comunidade de cristãos baseada em pequenos grupos, que se reúnem regularmente nas casas, locais de trabalho, escolas e outros lugares apropriados, com o objetivo de promover evangelismo, pastoreamento, comunhão, oração e ensino da Palavra de Deus. Neste tipo de igreja, os grupos ou células não são uma opção entre todos os demais programas e estruturas, mas são a estrutura principal, na qual todos os membros devem estar inseridos. 

2. Quais as diferenças entre uma Igreja em Células e uma Igreja Convencional?


As igrejas convencionais não usam reunir-se em pequenos grupos fora do templo. Quando muito, adotam os pequenos grupos como uma estrutura opcional. Ou seja, o membro escolhe se quer ou não fazer parte de um deles. As atividades desse tipo de igreja se concentram no templo. Isso dificulta o crescimento porque, ao invés da igreja cumprir a Grande Comissão “indo”, ela espera que os perdidos “venham”. Dificulta a comunhão, visto que os relacionamentos tendem a tornar-se impessoais à medida que a igreja cresce e os membros não têm um espaço apropriado para desenvolver amizades e alianças. Dificulta o pastoreamento, uma vez que os pastores também não conseguem estar perto o suficiente das ovelhas para supri-las em suas necessidades mais específicas. Dificulta o exercício dos dons de cada crente, já que as grandes reuniões só provêem espaço para uns poucos ministrantes.

Numa igreja em células acontece justamente o oposto. O centro da vida da comunidade são os pequenos grupos, onde todos podem receber pastoreamento direto de um líder, ser providos de ensino, gozar de uma comunhão pessoal com outros membros e exercitar seus dons, já que nas células é estimulada a participação ativa de todos. Além disso, o evangelismo se torna mais eficaz, já que a igreja “vai” até onde está o perdido e não fica esperando que ele “venha”.

O ambiente informal de uma célula favorece tanto a conquista de pessoas que resistem em ir a um culto no templo, quanto a formação de novos líderes, visto que pessoas descrentes são acompanhadas de perto e têm ali um espaço para o treinamento prático, coisa que não acontece numa igreja convencional baseada em programas. 

3. Quais as diferenças entre uma Igreja “com” Células e uma Igreja “em” Células?


Agora temos uma direção de Deus para nos tornarmos uma igreja “em” células. Embora não usássemos essa terminologia, nossos grupos caseiros sempre foram células nas quais estimulamos (não exigimos) a participação de cada membro. Éramos uma igreja “com” células. Daqui em diante algumas coisas irão mudar. A primeira delas é a ênfase que daremos às reuniões caseiras. Elas serão o centro da vida da igreja. Já tinham uma importância muito grande para nós, mas agora têm mais ainda! É das células especialmente que esperamos o crescimento numérico e qualitativo da comunidade.

Não vamos admitir mais a possibilidade de um membro da igreja que não esteja numa célula. Se a igreja é “em” células, um membro que não está “em” célula, não está na igreja. Assim, de agora em diante quem não for à sua célula ou dela desaparecer por um período superior a três meses, será desconsiderado como membro ativo da comunidade, perdendo assim todos os direitos como tal (cobertura, pastoreamento, etc...). 

4. Qual a base bíblica para o modelo de Igreja em Células?


A Igreja começou nas casas e terminará nas casas. No processo de restauração que Deus tem operado através dos séculos, a Igreja está fazendo o percurso de volta de Roma para Jerusalém. Diz a Palavra de Deus que a igreja original reunia-se todos os dias “no templo e de casa em casa” (At 2:46,47; 5:42). Quando ela saiu de Jerusalém para conquistar o mundo, isso não mudou. Embora tenhamos relatos dos apóstolos usando lugares públicos como sinagogas, praças e escolas para expandir o evangelho (At 17:17; 18:4; 19:8,9), era nas casas que os cristãos costumavam reunir-se e que a vida da igreja desenvolvia-se plenamente (At 12:2; Rm 16:3-5; I Co 16:19; Cl 4:15).

Diz-se que a primeira célula de evangelismo descrita com detalhes no livro de Atos reuniu-se na casa de Cornélio (At 10:24). Esse gentio recebeu Pedro em sua casa e para isso reuniu sua família e amigos íntimos. Ali Pedro pregou a Palavra, houve um grande derramar do Espírito, todos os presentes se converteram e foram imediatamente batizados nas águas.

O costume de usar reuniões caseiras para anunciar o Evangelho não nasceu com os apóstolos. Jesus usou este método insistentemente durante todo o seu ministério (Mt 26:6; Mc 2:15). Ele não apenas deu o exemplo prático, como ensinou os seus discípulos a buscarem sempre uma “casa digna” para anunciar a Palavra (Mt 10:11-13).

5. Porque adotar o modelo de Igreja em Células?


O modelo de Igreja em Células é a grande revolução eclesiástica desse novo milênio. Alguém já disse que se trata da segunda reforma. Estamos caminhando de volta para Jerusalém! Só isso já seria motivo para abraçarmos esta visão. Entretanto, ela apresenta muitos argumentos a seu favor:

a) As células facilitam o relacionamento íntimo entre os membros e o desenvolvimento de alianças de companheirismo.

b) As células permitem e promovem um crescimento ilimitado da igreja, uma vez que ela não fica restrita às dimensões de um templo.

c) As células fomentam a formação prática de novos líderes.

d) As células fornecem o ambiente propício para que cada crente exercite seus dons e talentos, permitindo a participação de todos. A dinâmica informal de suas reuniões induz até os mais tímidos a se expressarem.

e) As células alcançam com mais facilidade os perdidos, porque vão aonde eles estão e não se revestem do formalismo comum nos templos.

f) As células permitem o acompanhamento pessoal de qualidade, já que todo crente tem um líder próximo de si.

g) As células tornam o testemunho da igreja mais abrangente, já que podem espalhá-la por toda a cidade.

h) As células são a maneira mais eficiente (em alguns casos, a única) de implantação de novas igrejas, especialmente entre os povos não alcançados e cerrados para o Evangelho. 

6. Como surgiu a Igreja em Células no Modelo dos Doze?


A explosão do movimento celular no final do Século XX aconteceu com a experiência de David Young Cho, na Coréia, com sua igreja ultrapassando a marca de um milhão de membros através dos chamados grupos familiares. A partir daí, inúmeras igrejas ao redor do mundo têm adotado esta estratégia. Uma delas é a Missão Carismática Internacional (MCI), de Bogotá, capital da Colômbia. Sob a liderança do casal César e Cláudia Castellanos, esta igreja nasceu em 1984 com oito pessoas na sala de sua casa. A princípio, adotando o modelo coreano, Castellanos experimentou um sucesso limitado, até que Deus lhe deu a estratégia dos grupos de doze. Os detalhes desta experiência estão narrados no livro “Sonha e Ganharás o Mundo”, publicado pela Palavra da Fé – Produções.

A congregação de Castellanos contava com setenta células, quando Deus lhe deu o modelo dos doze, em 1991. De lá para cá esse número se multiplicou muitas vezes e hoje a MCI tornando-se uma das maiores comunidades evangélicas do planeta.

A experiência não ficou confinada em Bogotá. Milhares de pastores de todo o mundo (e especialmente do Brasil) foram à Colômbia e abraçaram a visão para suas igrejas, experimentando a partir daí um crescimento que antes não conheciam.

Foi também este caminho que fez a Comunidade Cristã de Ribeirão Preto. Embora não tenhamos a visão celular como uma estratégia fechada ou estática, nos inspiramos na experiência da MCI em Bogotá, assim como de outras igrejas com organização semelhante ao redor do mundo, em especial o Ministério Internacional da Restauração, de Manaus/AM, que nos serviram de modelo e incentivo nos primeiros anos, para depois trilharmos nosso próprio caminho sobre as bases dessa estratégia. 

7. Quais os pilares desta visão?


Este modelo se baseia em quatro pilares fundamentais: GANHAR, CONSOLIDAR, DISCIPULAR e ENVIAR. Uma maneira didática de ilustrar isso é a Escada do Êxito ou Escada do Sucesso, na qual cada degrau representa uma verdade e para cada verdade existem ferramentas específicas.

Todo crente, desde que se converte, deve ser desafiado e estimulado a conquistar cada degrau da Escada do Êxito. Todos devem fazer do ganhar os perdidos seu estilo de vida. Não se trata de um dom ou privilégio de alguns, mas de uma ordem que Jesus deu a todo cristão.

Depois de ganho, o novo convertido precisa ser consolidado. Consolidar é, segundo os dicionários, “firmar, tornar permanente, sedimentar”. Todo aquele que nasce de novo deve ser considerado um bebê espiritual e precisa de alguém que o acompanhe e lhe dê o leite espiritual e o amparo para sua sobrevivência. Este é o papel de um consolidador. Mais adiante voltaremos a este assunto, analisando-o mais detalhadamente.

Uma vez consolidado, firme numa célula e batizado, o novo convertido deve entrar num processo de discipulado, onde através do relacionamento prático com um líder e do ensino, seu caráter será trabalhado e seu ministério formado a fim de que ele também se torne um líder na Casa de Deus. Nesta visão, todos são chamados para liderar. O lema é “cada casa uma igreja, cada crente um ministro”.

O objetivo de todos é chegar a um ponto de maturidade e confiabilidade em que possam ser enviados. Este é o último degrau da Escada do Êxito. Quando alguém se dedica em vencer os degraus anteriores, certamente chegará ao ponto de ser enviado por seu líder para começar sua própria célula, depois para formar o seu grupo de doze discípulos e, se o seu ministério for comprovadamente frutífero, pode tornar-se um obreiro parcialmente remunerado, um pastor de tempo integral, ou um missionário enviado para plantar igrejas em outras cidades e nações.

8. O que é uma Célula?


Segundo a Biologia, a célula é a estrutura mais básica e fundamental dos organismos vivos. É através das células que o corpo humano cresce e a vida se renova a cada segundo. Isso se dá porque cada célula contém em si todas as informações genéticas daquele corpo e se submete ao interesse geral do organismo como um todo. Isso significa que por uma célula se pode conhecer a identidade de todo o corpo.

Quando uma célula do corpo humano “se rebela”, decide seguir seu próprio caminho independente dos interesses gerais de todo o organismo, temos aí um câncer. Se esta anomalia não for seriamente tratada, resultará seguramente em morte.

Você sabe porque as pessoas envelhecem? Porque as indesejadas rugas aparecem e com elas as funções orgânicas vão se tornando mais débeis? Basicamente, porque as células vão diminuindo o seu ritmo de multiplicação e a vida não se renova na mesma velocidade que antes.

Bem, usar o termo “célula” para descrever uma estrutura de crescimento e edificação da igreja é bem apropriado, embora não se possa encontrá-lo na Bíblia. Nos tempos em que ela foi escrita, a Ciência não havia chegado a este ponto de conhecimento e ninguém entenderia esse termo. Hoje, porém, sabemos bem mais e podemos utilizar a riqueza dessa figura.

Na igreja, uma célula é uma pequena estrutura, definida, formada por um grupo limitado de pessoas, que expressa a vida de toda a comunidade e segue o seu propósito. Sua função fundamental, como no corpo, é multiplicar-se, produzindo o crescimento, mantendo a saúde e renovando a vida. Na prática, trata-se de grupos que se reúnem nas casas, escolas, escritórios ou qualquer outro lugar conveniente, para pregar o evangelho, ganhar e consolidar vidas para Cristo.

9. Quais os objetivos de uma Célula?


Uma célula existe para multiplicar-se. Lembre-se que a igreja é um corpo em crescimento. Por isso, as células têm que se voltar prioritariamente para a multiplicação. Se isso não acontece, temos uma séria disfunção.

Quando falamos em multiplicação, não nos referimos apenas ao crescimento interno da célula, ou seja, ao aumento do número de seguidores. Embora isso tenha que acontecer sempre, não cumpre em si o seu objetivo básico que é multiplicar-se em outras células. Isso quer dizer que o líder bem sucedido não é aquele que consegue ter uma enorme célula, mas aquele que multiplica a sua em várias outras, no menor espaço de tempo possível.

Para alcançar a meta da multiplicação, a célula precisa investir todo o tempo em evangelismo. Se não ganhar vidas, ela nunca poderá multiplicar-se. Isso requer uma drástica renovação de mente nos crentes antigos, visto que estão acostumados a receber e receber. Na célula, todos terão que dar, que orar, que evangelizar, que pensar em estratégias criativas, sempre visando a conquista dos perdidos.

Como se trata da estrutura básica da igreja, a célula contribui também com os demais pilares da visão. Além de ser uma estrutura especializada em GANHAR gente, ela ajuda a CONSOLIDAR, uma vez que os novos convertidos são imediatamente inseridos em seu seio e ali recebem apoio, ensino, relacionamento, oração e encorajamento. Além disso, a célula associa-se à Escola de Líderes (que chamamos hoje de Escola de Crescimento) para DISCIPULAR ou TREINAR seus membros, sendo o espaço no qual o ministério de cada um poderá se revelar e ser aperfeiçoado de maneira prática.

O apascentamento do rebanho, o ensino e a disciplina também ocorrem no ambiente da célula, embora sejam feitos de uma maneira mais profunda nos grupos de discipulado (ou Grupos de Doze).

Finalmente, é na célula que se atinge o quarto degrau da Escada do Êxito, o ENVIAR. Quando um discípulo corresponde com sua vida e disposição, passando por todo o treinamento necessário e mostrando-se frutífero, ele é enviado para começar uma nova célula.

10. Qual a estrutura de liderança de uma Célula?


Uma célula precisa basicamente de um líder, um auxiliar e um anfitrião. O líder é o responsável pela direção da célula e pastoreamento direto de seus membros. Ele necessariamente tem que fazer parte de um grupo de doze e estar debaixo da liderança de alguém.

O auxiliar ou co-líder é um líder em treinamento, alguém que tem correspondido em interesse e aliança e pode assumir responsabilidades secundárias, inclusive ajudando na direção das reuniões. Normalmente esse co-líder (muitos o chamam de “Timóteo”) será o primeiro a ser enviado para começar uma nova célula, quando estiver pronto para isso.

O anfitrião é a pessoa que abre sua casa ou disponibiliza o local para as reuniões da célula. Ele precisa ter, portanto, um compromisso já assumido com Jesus e liberdade para usar aquele espaço sem embaraços ou contra-testemunhos.

No caso das células de casais, também a liderança é formada por casais. Então teremos um casal de líderes, um casal de co-líderes e um casal de anfitriões. Aliás, sempre trataremos os cônjuges nestas células como se fossem uma pessoa só, para efeitos de contagem.

Em relação ao papel de co-líder, ele pode ser exercido em conjunto por duas ou três pessoas (ou casais), desde que haja gente se apresentando com potencial para isso na célula. Esta é a maneira mais prática de desenvolver habilidades de liderança na vida daqueles que almejam o ministério. Normalmente esses auxiliares estarão cursando paralelamente a Escola de Líderes (Escola de Crescimento) e logo deverão estar prontos para ser enviados.

11. Porque trabalhar com Células homogêneas?


Nós trabalhamos com células homogêneas, ou seja, células só de casais, só de homens, só de mulheres, só de rapazes, só de moças, só de juniores e, em casos especiais, com células só de crianças (com liderança adulta). Por homogêneo entendemos um grupo de pessoas afins, com características marcantes em comum.

A experiência tem demonstrado que, quanto mais homogênea for a célula, maior será sua eficácia em ganhar vidas. Em Bogotá, a MCI trabalhou por vários anos com grupos heterogêneos (mistos), mas o resultado de multiplicação ficou bem abaixo do que tem sido atingido com células homogêneas.

Trabalhar assim traz diversas vantagens. Em primeiro lugar, as pessoas se sentem mais à vontade em grupos homogêneos. Não é raro acontecer de jovens ou adolescentes ficarem retraídos quando estão participando de grupos com seus pais. Homens podem se abrir com maior facilidade quando estão entre homens, sem a presença de mulheres. Isso diz respeito tanto aos antigos crentes, quanto aos visitantes ou novos convertidos.
Em segundo lugar, trabalhar com células homogêneas expande o potencial de liderança na igreja. Homens, mulheres, rapazes, moças e adolescentes podem ser usados como líderes porque terão que orientar pessoas afins. Se trabalhássemos com células heterogêneas, eliminaríamos a possibilidade de usar como líderes as mulheres e os jovens, pois acreditamos não ser adequado um rapaz ou uma moça responder pelo pastoreamento de um grupo onde houvesse casais? Que autoridade este líder teria? Seria conveniente uma mulher, ainda que adulta, madura e capaz, aconselhar ou orientar homens casados ou rapazes solteiros? Não estaríamos aí transgredindo um princípio bíblico (I Tm 2:12)? Com as células homogêneas, porém, esse potencial de liderança que está latente na igreja pode ser usado, jovens pastoreando jovens, mulheres cuidando de mulheres e homens acompanhando homens.

O terceiro ponto a favor dos grupos homogêneos é a possibilidade de se trabalhar com as pessoas dentro de suas necessidades mais específicas, falando sua linguagem e tratando dos assuntos que lhe são mais pertinentes. Assim, numa célula de jovens se pode gastar mais tempo falando da sedução das drogas ou da fornicação, por exemplo, assunto que não seria tão interessante para casais ou que teria que receber uma outra abordagem.

Alguns podem ter a preocupação de que a homogeneidade das células desagregue a família. Isso realmente poderia acontecer se o assunto família fosse esquecido nas células e se não houvesse outros espaços onde pais e filhos, esposos e esposas pudessem buscar a Deus juntos. Nesta visão, porém, família é uma peça-chave e alvo a ser trabalhado todo o tempo, nas grandes reuniões, em eventos específicos (como retiros e encontros) e nas próprias células. Além disso, na grande celebração semanal, toda a família terá oportunidade de adorar e aprender junta.

Pense numa igreja convencional, com Escola Dominical e tudo. O fato de separar as pessoas em classes por suas faixas etárias desagrega as famílias? De forma alguma! Tampouco isso acontecerá com as células homogêneas.

12. Onde e quando se reúnem as Células?


As células podem reunir-se em diversos locais e em vários dias e horários. Entretanto, cada célula precisa ter o seu lugar e dia de reunião fixos. Isso pode acontecer numa residência (o mais comum), numa fábrica, num escritório, numa escola ou em qualquer outro lugar onde haja liberdade e ambiente apropriado para que a reunião transcorra sem entraves.

No nosso caso, damos liberdade para que cada célula defina sua opção, evitando apenas células nas noites de segunda-feira (reservadas para os Grupos de Doze) e de quinta e domingo (quando acontecem as reuniões gerais da igreja). Isso, entretanto pode mudar, à medida que avançamos na experiência das células e vamos adequando nossas programações de maneira mais eficaz.

Deve-se ter o cuidado na escolha dos locais de reunião, a fim de que a célula goze de toda a liberdade e não tenha o seu trabalho comprometido pelo ambiente. Um jovem solteiro, por exemplo, que queira oferecer sua casa para reuniões, precisa ter a concordância irrestrita de sua família e, inclusive, a sua cooperação para um ambiente apropriado. Esse cuidado deve ser observado em todos os casos.

13. A partir de que momento uma Célula é considerada consolidada?


O fato de se enviar três irmãos (um líder, um auxiliar e um anfitrião) para começarem uma célula não significa que esta célula vingou. Ela tem que ser confirmada, consolidada. Há uma possibilidade de que seus componentes não trabalhem bem e ela fique estagnada ou mesmo se desintegre. Por isso vamos trabalhar com três níveis na avaliação de uma célula: em implantação, consolidada e madura.

Uma célula será considerada em implantação até que tenha pelo menos três pessoas (ou casais) comprometidos e batizados. A partir daí ela será considerada uma célula consolidada e trabalhará para atingir seu ponto de maturação que é a multiplicação.
Quando uma célula não se desenvolve ou fica estagnada por muito tempo, providências precisam ser tomadas. Isso é responsabilidade do discipulador de doze que cobre aquela célula. Ele deve investir em oração e orientação junto ao líder para que haja um rompimento. Se isso não acontecer, a liderança da célula pode ser mudada ou mesmo seus membros serem transferidos para outras células, extinguindo-se a célula improdutiva.

14. Qual o papel de um líder de Célula?


Ser um líder de célula deve se tornar o objetivo de cada crente na igreja. Isso porque ser um líder de célula é ter a possibilidade de fazer discípulos e isso corresponde à comissão que Jesus deixou a todos os cristãos. Entretanto, há exigências para que alguém chegue a esta função e responsabilidades que lhe serão cobradas quando chegar.

Para ser enviada como um líder de célula, a pessoa precisa ser aprovada em seu trabalho e testemunho por aquele que a lidera na célula de origem. Precisa, portanto, mostrar-se disposta, ensinável e submissa, trabalhando na célula, ganhando e consolidando vidas e cooperando naquilo que lhe for requisitado. Além disso, ela precisa cursar a Escola de Líderes (de Crescimento) e ser aprovada ali.

Uma vez enviada como líder de célula, esta pessoa precisará corresponder a uma série de responsabilidades e para isto ela será orientada e coberta pelo líder que a enviou. Ao ser enviada, esta pessoa passa automaticamente a ser um dos doze discípulos de seu líder (de modo provisório, enquanto sua célula ainda não está consolidada, e definitivamente quando isso já tiver acontecido).
O que se exige de um líder de célula?

a) Que ele comande, incentive e coordene os membros da célula na sua tarefa principal que é ganhar vidas.

b) Que ele dirija as reuniões e atividades da célula ou monitore seus auxiliares nesta tarefa.

c) Que ele pastoreie diretamente os membros de sua célula, mantendo no mínimo um contato semanal com cada um deles. Se um discípulo falta à reunião da célula, o líder tem a obrigação de encontrá-lo até o dia seguinte, ainda que seja por contato telefônico.

d) Que ele se esforce por ganhar e consolidar vidas e leve os membros da célula a fazerem o mesmo. Seu papel é encher o coração de seus liderados de amor pela visão, entusiasmando-os a vivê-la.

e) Que ele envie o maior número de membros de sua célula para as Escolas de Líderes, a fim de que a multiplicação seja sempre possível. Para isto ele deve encorajar e cobrar dos membros disposição e acompanhar o progresso daqueles que aceitam o desafio.

f) Que ele proveja aconselhamento para os membros de sua célula e leve os casos mais sérios ou complexos ao conhecimento de seu discipulador, para que este intervenha ou lhe oriente no procedimento a tomar.

g) Que ele apresente mensalmente todos os relatórios de presença e atividades da célula, de maneira organizada e precisa. Para isso, ele pode nomear pessoas na célula que o auxiliem.

15. Qual a dinâmica de uma reunião de Célula?


Uma reunião de célula precisa ter como alvo os não convertidos. Estamos falando, portanto, de pessoas que não conhecem a Palavra, não têm ainda um compromisso e talvez estejam receosas do que lhes vai acontecer. Exatamente por isso, a reunião deve ser leve, objetiva e o mais informal e descontraída possível.

O primeiro cuidado que devemos tomar é com o tempo. Uma reunião de célula deve ter, no máximo, uma hora e meia (idealmente, uma hora). É melhor deixar o visitante com um gostinho de “quero mais” do que enfadado e preocupado com o relógio.
Não queremos “engessar” o mover de Deus, mas é importante ter um roteiro para uma reunião de célula normal. Eis uma base do que deve acontecer:

- BOAS-VINDAS – O líder rapidamente promove a apresentação dos visitantes e lhes dá as boas-vindas.

- LOUVOR (10 min.) – Canta-se uma ou duas músicas (nos grupos onde não há quem toque, pode-se usar um CD e acompanhá-lo) ou pode-se apenas ter um período de oração e gratidão.

- QUEBRA-GELO (5 min.) – Alguma dinâmica que promova a descontração do grupo, especialmente quando há visitantes (Exemplo: Pedir a cada um que resuma em uma frase o que de mais importante lhe aconteceu durante a semana ou abrir oportunidade para alguns testemunhos breves) ou uma pequena revisão da mensagem ministrada no último fim-de-semana na igreja.

- MINISTRAÇÃO DA PALAVRA (30 min.) – O líder ou aquele que ele previamente designar trará uma Palavra, sempre com desfecho evangelístico. Essa mensagem normalmente será um desenvolvimento do que foi ministrado na grande celebração do domingo. Eventualmente os líderes estarão liberados para trazerem algo que eles mesmos prepararam.

- APELO E ORAÇÃO DE ENTREGA (5 min.) – Sempre que houver algum visitante não crente, um apelo claro deve ser feito, dando a oportunidade para que ele receba a salvação. Se isso acontecer, o visitante deve ser conduzido numa oração de entrega e quem o trouxe já deve providenciar sua consolidação.

- PERÍODO DE ORAÇÃO (10 min.) – Tempo de intercessão pelas necessidades específicas de cada pessoa e pelos alvos da célula.

16. Quais as diferenças entre uma Célula e um Grupo Caseiro convencional?


Fomos acostumados por muitos anos com a dinâmica de grupos caseiros que visavam muito mais o crente do que o perdido. Sua ênfase principal era edificação, ensino, comunhão e pastoreamento. Nas células, embora estas coisas aconteçam, o objetivo maior é ganhar vidas para Cristo.

Um líder de grupo bem sucedido entre nós era aquele que conseguia ajuntar muitas vidas em torno de si e, portanto, tinha um grupo numeroso. Na célula, isso pode ser sintoma de fracasso, pois o objetivo maior é multiplicar, enviando novos líderes para iniciar novas células.

Um líder de célula deve buscar ganhar vidas e direcionar o maior número possível dessas vidas ganhas e consolidadas para as Escolas de Líderes, onde serão treinadas para a multiplicação. Aqueles que este líder enviar formarão paulatinamente o seu grupo de goze (G-12). Serão, portanto, seus discípulos, líderes sob sua supervisão direta. Em última análise, cada líder deve levar sua célula a reproduzir-se doze vezes, no menor espaço de tempo possível.

Para atingir seus objetivos, todos os membros da célula devem ser envolvidos em muito trabalho. Eles não estão ali para receber, mas para produzir. Por isso, todos devem orar, todos devem trazer visitantes e todos devem estar treinados e envolvidos no ministério de consolidação.  É papel do líder, portanto, contagiar seus liderados com a visão, a fim de que todos sejam encorajados a produzir frutos e envolver-se no trabalho.

17. O que são as Redes?


Uma Igreja em Células no Modelo dos Doze é organizada em redes específicas. De maneira simples, uma rede é o ajuntamento de todas as células que estão debaixo de uma mesma homogeneidade. Assim, a Rede de Casais é composta pelas células de casais da igreja e coordenará o seu avanço estratégico, promovendo também seminários e encontros de casais, organizando grandes eventos de colheita para casais e mantendo a sua reunião geral (que pode ser semanal ou mensal, de acordo com os interesses e a estrutura da igreja). Tudo sempre visando em última análise ganhar vidas! O mesmo acontecerá com as redes de jovens, juniores, homens, mulheres, crianças, etc...

Os cabeças ou líderes de redes serão pastores ou discípulos diretos destes. Eles terão o desafio de tornarem-se “especialistas” naquela área. Seu trabalho será desenvolver estratégias gerais, estabelecer metas, organizar Encontros, Escolas de Crescimento e outras programações dentro dos interesses da rede, além de comandar as reuniões gerais e os grandes eventos.

18. O que é e como funciona a Consolidação?


Como dissemos no início, consolidar é firmar na fé o novo convertido, confirmá-lo como um verdadeiro crente em Jesus. Esse processo começa no momento da sua decisão, passa pelo batismo e vai até o término do Pós-Encontro.

Para que isto funcione a contento, há um ministério organizado na igreja que treina e aciona os consolidadores na medida da necessidade.

Quando uma pessoa confessa Jesus como Senhor, seja numa grande reunião da igreja, numa célula ou num evento de colheita, o Ministério de Consolidação será acionado para dar-lhe as primeiras instruções e preencher uma “ficha de consolidação” com os dados da pessoa. Essa ficha será distribuída no dia seguinte para um consolidador que fará imediatamente um contato telefônico (“fonovisita”) e marcará uma visita dentro de no máximo sete dias. A partir daí, munido com o material apropriado, este consolidador fará uma série de oito visitas, uma por semana, ministrando assuntos básicos da fé cristã, orando pelo novo convertido e encorajando-o a envolver-se com a vida da igreja.

O papel básico do consolidador nesse período em termos práticos será levar o novo convertido a freqüentar uma célula (normalmente a sua), conduzi-lo ao Pré-Encontro, Encontro e Pós-Encontro e, finalmente, a ser batizado. A partir desse ponto, o líder da célula assume a responsabilidade por cobrir o novo membro e o consolidador estará livre para trabalhar com outras vidas.
Há várias estruturas que cooperam juntamente para a consolidação dos “bebês espirituais”. O consolidador pessoal, a célula, o Pré-Encontro, o Encontro e o Pós-Encontro se juntam para firmar a fé do novo crente e desenvolver suas raízes na Casa de Deus.

É fundamental que o maior número de membros da célula, se possível todos, sejam treinados como consolidadores. Isso influenciará diretamente no crescimento da célula e evitará que alguns poucos fiquem sobrecarregados, assistindo todos os novos convertidos que chegam. Esse treinamento acontece com aqueles que passam pela Escola de Líderes, mas periodicamente será dado também à parte como um seminário promovido pela liderança do Ministério de Consolidação. Cabe ao líder da célula estar atento às datas destes seminários e enviar aqueles que ainda não foram treinados.

19. O que é o Pré-Encontro?


Uma das ferramentas de consolidação é o Pré-Encontro. Trata-se de uma série de quatro palestras, uma por semana, voltadas para os novos convertidos e que visam confirmar sua decisão, esclarecer verdades fundamentais como Salvação, Novo Nascimento, Benefícios da Cruz e Libertação e motivá-lo a ir ao Encontro.

É papel do consolidador e do líder de célula levar o novo convertido a participar do Pré-Encontro e ir ao Encontro. Por isso, devem estar atentos ao calendário da igreja e, se necessário, acompanhar o candidato nas ministrações do Pré.

20. O que é o Encontro?


O Encontro é tremendo! Trata-se de um retiro muito especial de três dias, onde as pessoas serão levadas a uma forte experiência na presença de Deus. Procura-se manter a dinâmica do Encontro em segredo, sem dizer “como” as coisas acontecerão lá. Entretanto, podemos e devemos dizer “o que acontecerá”, como uma forma de derrubar ansiedades e suspeitas em quem vai ou nos críticos que estão de fora.

No Encontro, as pessoas são ministradas nas áreas de arrependimento, santidade, perdão, cura emocional, libertação, quebra de maldições, restauração familiar, enchimento do Espírito Santo e frutificação. Isso não precisa ser segredo para ninguém. O que se deve manter em sigilo é a dinâmica das ministrações, até porque elas mudam de Encontro para Encontro. Deve-se, porém, evitar usar o segredo como uma forma de gerar receio e ansiedades na vida de quem ainda vai. Toda expectativa gerada deve ser positiva e não mística.

21. O que é o Pós-Encontro?


O Pós-Encontro finaliza o processo de consolidação. Ele começa na semana seguinte ao Encontro e dura algumas semanas, com uma ministração semanal. São aulas coletivas sobre temas muito importantes para o novo crente, entre eles: Como Enfrentar o Mundo; Vida de Oração; Relacionamentos; Palavra de Deus; Sexualidade; Igreja e Batismo.

Durante este período de dez semanas, o novo convertido terá oportunidade de ser batizado nas águas, confirmando sua opção de seguir a Cristo e comprometer-se com a igreja.

22. O que é o Reencontro?


Se o Encontro visa atingir o novo convertido, o Reencontro atingirá o novo líder. Trata-se de um retiro espiritual de três (03) ou quatro (04) dias, do qual participarão apenas aqueles que estão na Escola de Líderes e que já concluíram o seu primeiro nível (os três primeiros meses). Teoricamente essas pessoas estão começando ou prestes a começar suas próprias células e precisam fazê-lo debaixo de unção e graça.

No Reencontro, elas são ministradas em níveis mais profundos em áreas como cura e crescimento emocional, guerra espiritual, responsabilidades diante do mundo, consagração, ética, frutos e dons do Espírito Santo. Haverá sempre uma forte ênfase em oração e em ministrações com imposição de mãos.

23. O que é a Escola de Líderes ou Escola de Crescimento?


Diz-se que a Escola de Líderes é o coração da visão. Sem ela, a multiplicação das células entra em colapso pela falta de novos obreiros.

A Escola é um treinamento prático que serve ao terceiro degrau da Escada do Êxito, o DISCIPULAR. Ela dura nove (09) meses e é dividida em três (03) níveis com duração de três (03) meses cada. São duas (02) horas semanais de ministração, sendo uma aula com sentido doutrinário e um de formação.

Na verdade, várias Escolas de Crescimento devem funcionar paralelamente e novas Escolas devem estar começando periodicamente para receber os novos crentes que vêm do processo de consolidação. Elas devem ter de trinta (30) a cinqüenta (50) alunos e, idealmente, devem servir às Redes (Escolas de homens, mulheres, casais, jovens, etc...).

Como numa escola normal, o aluno receberá ministrações, terá tarefas a cumprir e será avaliado no seu aprendizado através de provas e trabalhos. Um desempenho mínimo lhe será exigido e, caso ele não atinja a média, entrará num processo de recuperação ou mesmo terá que repetir o treinamento.

Nesta visão, todos são desafiados a tornarem-se líderes. Por isso, todos devem passar pela Escola de Líderes a fim de receberem o treinamento adequado.

24. O que se ensina na Escola de Líderes?


A Escola de Líderes não se propõe a ser um curso de profunda formação teológica, nem a preparar pastores. Trata-se de um treinamento simples e prático cujo objetivo é forjar líderes de células. Sua principal intenção é fazer do novo convertido um ganhador de almas, aproveitando seu entusiasmo e potencial de relacionamento com os perdidos.

O que fazíamos antes? Com todas as nossas boas intenções, sentávamos o novo convertido num banco durante bastante tempo e enchíamos sua cabeça com muito conhecimento teórico. Queríamos gerar qualidade, mas não percebíamos que quando o liderávamos para algum ministério ele já havia perdido a força do primeiro amor e os vínculos com amigos descrentes. Resultado: improdutividade.

Agora o crente já nasce com a visão de ganhar vidas e tornar-se um líder. Com dois meses conversão ele já poderá estar na Escola de Crescimento e em menos de um ano terá iniciado sua célula, desde que pague o preço e seja fiel.

Exatamente por isso, o curso oferece um programa de ensino simples, voltado para questões práticas. Em nove meses, o aluno terá de fato recebido tudo o que precisa para ser um bom líder de célula. Depois disso, se ele quiser crescer no ministério e até chegar a ser um pastor, receberá treinamento mais aprofundado, além de estar todo o tempo sob um discipulado intenso e pessoal num Grupo de Doze, onde seu caráter estará sendo continuamente aperfeiçoado e seu conhecimento ampliado.

Em cada período da Escola, haverá uma ênfase específica. No primeiro nível, o foco é colocado no novo crente e as bases para sua vida com Deus. No segundo nível, a ênfase é a célula e a visão. No terceiro nível, o líder e seu chamado.

O material que usamos para este curso são os livros da série "Liderança para a última Colheita", escritos pelo Pr. Danilo Figueira e adotados em inúmeros ministérios no Brasil e exterior.

25. Escola de Líderes é suficiente para um bom discipulado?


O fato de uma pessoa passar pela Escola de Líderes (de Crescimento) e ser aprovada nas avaliações teóricas não lhe garante espaço no ministério. Além de conhecimento, um líder precisa ter vida e experiência com Deus. Isso só será conseguido através de uma parceria entre a Escola de Líderes e a célula. Na primeira ele recebe informação, na segunda coloca em prática o que recebeu e é orientado de maneira pessoal. Poderíamos dizer que o professor da Escola ensina, mas é o líder de célula que forma, que discipula.

Quando um líder consegue enviar alguém para a Escola, precisa monitorar essa pessoa de perto e acompanhar todo o seu processo de treinamento com muito interesse e participação. O líder da célula é o maior interessado em que esta pessoa rompa, pois assim ela contribuirá para que seus maiores objetivos sejam alcançados: multiplicar a célula e formar o seu Grupo de Doze.

É preciso que haja uma comunicação constante entre o líder do aluno e o seu professor. Assim, ele será encorajado, ajudado em suas dificuldades e usado na célula, à medida que progride na Escola.

Esse treinamento prático é fundamental. Na sua célula, o aluno da Escola de Líderes deve usar toda a teoria que está recebendo. Ali é o seu “estágio”, o campo de provas onde ele precisa demonstrar que está crescendo e não apenas “inchando” com conhecimento. De nada adiantará ele ter boas notas, se não está ganhando almas, consolidando e participando de maneira intensa na vida da Célula.

Outro fator importante é o tratamento do caráter. Embora na Escola de Líderes as pessoas recebam ministrações nesta área, é na célula e no relacionamento pessoal com o discipulador que elas serão tratadas. Por isso é importante que ele interfira em todas as áreas da vida do discípulo, mostrando-lhe o que precisa ser mudado ou ordenado para se tornar confiável e vir a ser enviado. Sem esse tratamento pessoal zeloso poderemos ter pessoas com conhecimento suficiente, mas de testemunho deficiente na liderança das células. Isso seria um desastre!

26. O que é um Grupo de Doze?


Um grupo de doze é um grupo homogêneo de discípulos, formado por doze pessoas afins sob a cobertura de um discipulador. Daí veio o termo popular “G12”. Trata-se da estrutura que dá qualidade e unidade à igreja nesta visão. Absolutamente todos os líderes de célula fazem parte de um grupo de doze e, portanto, estão sob a autoridade e o discipulado direto de alguém. Isso trata suas vidas, molda seu caráter e protege contra os enganos e a independência. Os membros da célula podem estar tranqüilos porque sabem que seu líder é alguém quebrantado e que anda em submissão.

O Grupo de Doze, portanto, é um grupo de discipulado. Um líder estará investindo sua vida em doze outros líderes, que serão a extensão do seu ministério. A palavra-chave aqui é “relacionamento”. Ele tem que andar junto com seus discípulos, de tal maneira que os conheça profundamente e os influencie com sua vida, experiência e testemunho.

O Grupo de Doze é um grupo de trabalho, uma equipe que deve frutificar. Esse é um princípio fundamental! Ninguém faz parte dele por amizade ou simpatia, mas por ter assumido o compromisso de dedicar-se à visão e ganhar vidas. Exatamente por isso, apenas pessoas dispostas a trabalharem na liderança fazem parte dos Grupos de Doze. Quem não quiser pagar o preço do ministério, ficará em sua célula apenas sendo apascentado, sem assumir maiores responsabilidades, mas estará sempre sendo lembrado que não está cumprindo o principal chamado de Deus para sua vida.

Em termos práticos, para que alguém chegue a ser inserido num Grupo de Doze, precisa estar subindo a Escada do Êxito. Pense num novo convertido. Ele terá que ser consolidado, assumir compromisso com uma célula, começar a ganhar vidas e consolidá-las, ingressar na Escola de Crescimento, passar bem pelo treinamento e corresponder ao seu líder com mudança de vida e submissão, ser enviado a fim de iniciar sua. Quem está trilhando esse caminho, pode e deve ser inserido num Grupo de Doze, especialmente a partir do momento que abre sua própria célula.

27. Quais as diferenças entre uma Célula e um Grupo de Doze?


Muitas pessoas confundem o Grupo de Doze com a célula, mas há diferenças fundamentais. Em primeiro lugar, a célula é aberta e dinâmica. Quanto mais gente chegar, melhor. Qualquer pessoa será bem-vinda nas suas reuniões. Já o Grupo de Doze é fechado, restrito apenas aos seus doze membros (quando o grupo já está completo).

O papel básico da célula é evangelizar, ganhar vidas. No G-12 a ênfase é discipulado, ou seja, formar vidas. Ali se trabalha profundamente o caráter e o ministério dos discípulos. A meta é levá-los à excelência em tudo.

O dinamismo da célula faz com que sua freqüência seja constantemente renovada. Enquanto uns saem para começar novas células, outros chegam através do evangelismo. Já o Grupo de Doze é fixo, estático. Uma vez formado, ele não deve ser mudado mais. Se isso vier a acontecer, terá sido uma exceção.
A responsabilidade que está sobre um Grupo de Doze é muito grande. Trata-se de um grupo de líderes! Exatamente por isso, formar um requer dedicação e tempo. Uma célula pode ser formada da noite para o dia, mas o amadurecimento de um Grupo de Doze custará meses, talvez até anos de trabalho.

28. Como se forma um Grupo de Doze?


A célula é o “canteiro” de onde os doze surgirão. Imagine que você seja o líder de uma nova célula. Seu trabalho inicialmente será ganhar vidas e consolidá-las. Á medida que você obtém sucesso nesta missão, seu desafio será enviar pessoas da célula para a Escola de Líderes (de Crescimento). Não é todo mundo que corresponde logo a este chamado. Lembre-se que são nove meses de treinamento. Pois bem, aqueles que aceitarem fazer a Escola merecem mais da sua atenção. Você deve acompanhá-los pessoalmente em todo o processo de treinamento e, paralelamente, trazê-los mais para perto a fim de conhecê-los e tocar em suas vidas.

Chegará o momento em que você sentirá segurança em enviar um destes como líder para dar início a uma nova célula. Ele tem sido dinâmico, submisso e esforçado. Já passou pelo menos para o segundo nível da Escola e deve fazer o Reencontro. Muito bem, quando você envia esta pessoa, potencialmente ele já é o primeiro dos seus doze. Isto será oficializado quando a célula que ele abrir já estiver consolidada, conforme já vimos anteriormente.

A mesma trajetória será feita por cada um dos seus discípulos e assim, paulatinamente, você estará formando o seu grupo até que chegue ao número de doze. Quando isso acontecer, você poderá deixar a célula que dirige sob a liderança do seu auxiliar e passará a supervisionar o ministério dos seus doze discípulos.

Como você pode notar, ninguém é convidado para ser um dos doze por amizade. Se a pessoa não se dispuser a fazer todo o treinamento e não for frutífera, não adiantará ser talentosa ou amiga do líder. Sua escolha dependerá única e exclusivamente dela, do preço que ela estiver disposta a pagar. Poderíamos dizer que a Escola de Líderes e a célula são a porta para o Grupo de Doze.

29. Porque Doze?


A pedagogia moderna confirma um princípio: doze é o número ideal para se alcançar resultados ótimos no ensino. Um professor estará no limite máximo da sua capacidade de ensinar com a melhor qualidade se tiver uma classe de doze alunos. Se ele passar disso, começará a perder nos resultados.

Parece que Jesus conhecia este princípio. Embora ele tivesse muitos discípulos, fosse seguido mesmo por uma multidão (Mt 4:25), chamou doze para estarem consigo e dedicou o melhor de sua vida a eles (Mc 3:3-15; Lc 6:13). Porque doze? Esta é uma pergunta intrigante. Poderia ser dez, onze ou treze, mas Jesus escolheu doze e isso ficou tão forte na mente deles que, quando Judas Iscariotes faltou, eles tiveram convicção de completar o número. O interessante é que a Bíblia fala de dois homens capacitados para substituir aquele que traiu o Senhor: Matias e José, chamado Justo (At 1:15-26). Ambos eram discípulos, ambos haviam acompanhado Jesus desde o início do seu ministério, ambos estavam aprovados diante dos demais apóstolos. Eles poderiam evitar o constrangimento, deixando as coisas como estavam. Poderiam também abrir espaço para os dois, já que eram igualmente idôneos aos seus olhos. Assim o grupo teria treze homens. Entretanto, buscaram a Deus e completaram o número de doze com Matias, deixando José fora do colégio apostólico. De alguma forma o princípio dos doze estava tão impregnado e claro para eles, que não podiam admitir outra solução.

Na verdade, o número doze está destacado na Bíblia, desde Gênesis até Apocalipse. Sua ligação com os temas “governo” e “multiplicação” é relevante. Desde o princípio, Deus estabeleceu o sol para governar o dia e a lua para governar a noite, cada um com doze horas. Na sua soberania, Ele distribuiu o ano em doze meses.

O Senhor fez uma aliança com Abraão. Prometeu que sua descendência herdaria a terra de Canaã e se multiplicaria como as estrelas do céu (Gn 12:1-4; Gn 15:5). Esta promessa não se cumpriu, até que Jacó teve doze filhos, que se tornaram doze tribos, que finalmente vieram a compor uma grande nação (Gn 35:22; Ex 1:1-7).

Quando Jesus traz a luz “o mistério que estava oculto desde a fundação dos séculos”, a Igreja, Ele confirma o princípio dos doze. Chama doze apóstolos e os envia. Não é uma coincidência. Quando em Patmos, João recebe o Apocalipse, Deus lhe mostra a Nova Jerusalém, uma magnífica figura da Igreja. Note que o anjo lhe diz: “Vem e mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro...” (Ap 21:9). Então lhe mostra a figura de uma cidade que desce dos céus, a Nova Jerusalém.

Se você prestar atenção, verá que o número doze se destaca nesta revelação profética da Igreja do fim. A cidade tem doze portas e seus muros doze fundamentos. Sobre cada porta os nomes das doze tribos de Israel e nos fundamentos os nomes dos doze apóstolos. A cidade mede doze mil estádios. No meio dela há uma árvore, a árvore da vida, que produz doze frutos e suas folhas são para cura das nações. Você pode ler tudo isso detalhadamente em Ap 21:1-27 e Ap 22:1-5.

A estratégia que adotamos não está revelada, mas não detalhada na Bíblia. Seria uma tremenda manipulação dizer que a igreja de Jerusalém funcionava no modelo exato adotado pela Comunidade Cristã de Ribeirão Preto. não se trata de um dogma, mas de uma estratégia. Entretanto, seus princípios estão escondidos em mistérios na Bíblia desde os relatos da fundação do mundo. Cremos mesmo que esta visão estava guardada para se cumprir nos tempos do fim, para a maior colheita da história do povo de Deus.

30. Qual o papel do líder do Grupo de Doze?


Um líder de doze é uma peça muito importante na visão. Ele é um multiplicador, um formador de visão, um líder de líderes. Através de seu ministério, milhares de pessoas estarão sendo alcançadas.

A responsabilidade que está sobre um líder de Grupo de Doze é muito grande. Ele é uma autoridade na igreja e, exatamente por isso, deve ser um modelo na santidade, no zelo, no amor pelos perdidos, no quebrantamento, na submissão. Sua vida precisa ser um “outdoor” da visão.

O trabalho desse líder é intenso. Ele se envolverá cada vez mais com o Reino de Deus. Entre muitas coisas que se espera dele, eis as principais:

a) Relacionamento com seus discípulos e formação dos tais – Um líder de doze precisará conviver e investir num relacionamento intenso com seus discípulos. Ele é responsável por formá-los em todas as áreas, ensinando-os a andar conforme o modelo de Jesus (I Co 11:1). Para isso ele terá que abrir sua casa, dispor de sua privacidade e colocar-se como exemplo para os seus seguidores.

b) Supervisão do ministério de seus discípulos – Esse líder será também cobertura ministerial sobre os seus doze. Ele os orientará na direção de suas células e, depois, na formação de seus próprios grupos de discipulado. Nada será feito sem o seu conhecimento e aval. Sua experiência, indo à frente na visão, será fundamental para os seus discípulos romperem no ministério.

c) Transmissão fiel da visão e da direção profética que Deus tem dado aos pastores - Nenhum líder de doze é autônomo. Todos trabalham debaixo da unção (em submissão) que Deus deu aos seus líderes que, em última instância, são os pastores de governo da igreja. A base do seu ministério é a mesma que Deus usou para transferir a autoridade de Moisés para os setenta anciãos. Ele disse: Então, descerei e ali falarei contigo; tirarei do espírito que está sobre ti e o porei sobre eles; e contigo levarão a carga do povo, para que não a leves tu somente” (Nm 11:17). Eles ministram debaixo de autoridade. Portanto, não são fonte de visão, nem de orientação profética, mas são canais daquilo que recebem de seus pastores.

d) Conquista de gerações – O líder de um Grupo de Doze não será autoridade apenas sobre seus doze discípulos diretos. Ele terá uma cadeia de líderes sob seu cuidado. À medida que seus doze formam seus próprios grupos de discipulado, sua responsabilidade cresce. Na primeira geração serão só doze. Na segunda, serão 144. Na terceira, 1728. Na quarta, 20.736 discípulos. Esse é o seu alvo: conquistar geração por geração! Isto acontecerá à medida que ele investe em seus discípulos diretos, encoraja-os, ora por eles e os enche de amor pelo ministério.

31. Já temos todos os detalhes da visão definidos?


A revelação de Deus é progressiva. Ele nunca nos dá tudo de uma vez. Fazer sua obra é como andar de carro à noite, com os faróis ligados. À medida que avançamos, vamos conhecendo mais detalhes do caminho.

Adotamos estratégias que têm sido bem sucedidas em muitas igrejas ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Recebemos uma visão como algo vindo dos céus para nós. Somos gratos a Deus pelo casal Castellanos e a MCI de Bogotá, por terem sido canais do Espírito para as nações em relação a este modelo eclesiástico. Buscamos segui-lo da maneira mais fiel possível, entendendo, porém, que cada povo tem uma história e adaptações precisam ser feitas à realidade local.

Ao longo da caminhada, vamos descobrir muitas coisas e, talvez, errar algumas vezes. Vamos ter que fazer reavaliações e ajustes. Mas estamos seguros de que o Espírito estará conosco, mostrando o caminho, desde que o busquemos todo o tempo... Isso nós faremos!

Não cremos em exclusivismos. Não somos dos que propagam que esta é “a” visão de Deus e todas as outras não são. A sabedoria do Senhor é multiforme e ninguém tem toda a verdade. O que cremos sim é que o discipulado dos doze e as células são uma grande revelação dos céus para a última colheita e aqueles que o abraçarem com zelo e oração terão sua descendência multiplicada como as estrelas do céu, como a areia da praia.

 

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