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O valor de uma oferta
 

“Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” - I Coríntios 2:9

A questão das ofertas tem sido uma das mais controversas para a Igreja nestes dias e causa, ao mesmo tempo, de sucesso para alguns e de frustração espiritual para muitos. Num extremo encontram-se os adeptos da 'teologia da prosperidade', segundo a qual Deus é obrigado a abençoar aqueles que ofertam com exuberância. Casa, comida e roupa lavada são benefícios básicos na relação com este Deus bom de troca.

Do outro lado, encontram-se aqueles que menosprezam a importância das ofertas materiais, já que o Deus "dono de todo ouro e de toda prata" não precisa do nosso dinheiro e requer apenas um coração contrito e quebrantado. No íntimo, possuem dificuldades até para aceitar a legalidade dos dízimos. Primícias e Missões, então, só se o pastor chorar muito!

No meio de tantos argumentos contraditórios, há muitos crentes que se sentem inseguros na hora de corresponder a um apelo para ofertar na Casa do Senhor. Desde que me entreguei ao Senhor Jesus, tenho sempre pedido a Ele a graça de não permitir que este tipo de dúvida encontre espaço no meu coração. E Ele tem sido fiel.

Há dez anos, na minha segunda visita à igreja, decidi fazer um pacto de obediência completa a Deus e àqueles pastores, até então ilustres desconhecidos para mim. Meu pedido era que o Senhor mudasse completamente a minha vida e, para selar este compromisso, entreguei ao Senhor um cheque num valor expressivo para a difícil situação financeira em que me encontrava.

Naquela época, eu devia mais de cem mil reais para um banco, sofria de diversas enfermidades e estava separando-me de minha esposa. Só para citar algumas mazelas que me afligiam.

No dia seguinte ao culto aconteceu um grande milagre, pois consegui vender um carro conversível que estava há três meses à venda. E o valor foi exatamente a soma da folha de pagamento da minha empresa mais o valor do cheque que ofertei ao Senhor. Um mês depois, em outro culto, encontrei o comprador com meu ex-carro, no qual destacava-se uma placa de “Vende-se”: ele não sabia exatamente porque comprou o carro, já que estava abrindo uma vídeo locadora e precisava de dinheiro para finalizar a obra.

Tudo não foi coincidência, foi um sinal de que o Senhor aceitou a minha oferta e ouviu o meu clamor. Assim como ele aceitou a oferta de Abel e rejeitou a de Caim!

De lá pra cá foram muitas experiências de fé. Tive meu casamento restaurado, fui curado de enfermidades e, na área financeira, não só consegui pagar aquela dívida, quanto o Senhor tem me concedido bens e mordomias muito além do que eu mereço ou tenha competência para conseguir.

Meus estudos e experiências nesta área me fizeram descobrir algumas características fundamentais para determinar o valor de uma oferta sincera ao Senhor.

1- É fruto de uma consagração completa ao Senhor – Pense bem, se entreguei minha vida, minha alma, meu corpo, minha família a Jesus, como posso negar-lhe o meu bolso?

Na primeira carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo diz que “para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele”.Ora não há como sermos integralmente do Senhor, se “todas as nossas coisas” também não Lhe forem entregues.

Concordo com afirmação de um pastor de que ofertar ao Senhor com liberalidade é a mais forte evidência de que uma pessoa se entregou completamente a Jesus.

2- É motivada pela gratidão por tudo que o Senhor É e Faz – Sabemos que tudo de bom que somos ou temos foi nos concedido pelo Senhor. A Bíblia diz em Tiago 1:17 que “toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”. Então, como retribuiremos ao Senhor por tão grande salvação e bênçãos?

No capítulo 51 do livro de Salmos, Davi afirma que os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; e que Deus não despreza um coração quebrantado e contrito. Baseado neste versículo, alguns podem dizer, equivocadamente, que o Senhor não se interessa por ofertas, apenas pelo coração de seus filhos. Mas nos versículos seguintes, Davi explica a seqüência de atitudes que realmente agradam ao coração do Senhor: 1) (v. 16) a oferta deve ser motivada por um coração quebrantado, se não o Senhor não a aceita; 2) (v. 17) Um coração quebrantado é a única forma do homem se reaproximar de Deus; 3) (v. 18) O quebrantamento atrai as bênçãos de Deus, segundo a Sua vontade; 4) (v. 19) O Senhor se agrada da oferta entregue por um coração quebrantado.

Jó é um grande exemplo de um coração grato. Logo depois de receber a notícia de que havia perdido seus filhos e seus bens, rasgou suas vestes “e disse: Nu saiu do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1:21). Você conseguiria ter a mesma postura que Jó?

3- Confirma a aliança com o Corpo de Cristo – Entregar os dízimos e ofertas na Casa do Senhor é uma demonstração clara de que a pessoa entendeu que se tornou um membro, tanto na dimensão espiritual quanto na física, do corpo vivo de Cristo, que é a Sua Igreja.

Da mesma forma, dízimos e ofertas representam uma moeda de dois lados, um espiritual, que agrada ao coração do Senhor; e outro, físico, que supre as necessidades da Casa de Deus. Esta última envolve a movimentação de recursos humanos e financeiros para que a Obra do Senhor seja realizada com excelência, de forma que, assim com nós, outros sejam alcançados pela obra redentora do nosso Senhor Jesus Cristo.

Como o Senhor diz em Malaquias 3:10: “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida”.

4- Representa desprendimento das coisas materiais em prol do Reino dos Céus – Um crente só oferta com generosidade quando tem o seu coração desprendido das coisas materiais. Como vimos anteriormente, Deus só recebe ofertas de um coração quebrantado. E um coração quebrantado tem que estar liberto da avareza e da incredulidade, como está estabelecido em Colossenses 3:5: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria”.

Se queremos ofertar com sinceridade diante de Deus, temos que checar qual é a verdadeira motivação desta atitude. O próprio Senhor Jesus nos adverte para que não venhamos a acumular tesouros sobre a terra, que são perecíveis; mas para que ajuntemos no céu, onde nossos tesouros serão eternos (Mt 6:19-21). Isto quer dizer que podemos ofertar pensando apenas em garantir as bênçãos financeiras de Deus ou garantir conquistas espirituais. Para saber a resposta, basta nos perguntarmos onde está o tesouro do nosso coração.

Nestes dias o Senhor tem me atraído de volta aos princípios essenciais da fé, e uma das revelações mais comprometedoras é de que não podemos servir a Deus e às riquezas. Servindo a Deus, Ele, por sua graça e bondade, poderá me dar riquezas. Mas, se nossas atitudes na área profissional ou financeira estão aborrecendo ao Senhor, então é porque, na verdade, estamos servindo às riquezas. Não nos deixemos enganar.

5- Descanso e confiança na provisão de Deus - Se o Senhor é o verdadeiro dono do dinheiro e por isto não há melhor lugar para investi-lo do que na Igreja, então devemos confiar que este mesmo Deus é fiel e poderoso para cumprir suas promessas de provisão e prosperidade financeira sobre nós. Afinal, “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? (Romanos 8:32)”.

Josias Messias*


* Josias é empresário, responsável pelo Jornal Canal,
principal órgão informativo do país voltado para a indústria sucroalcooleira. É líder de célula na CCRP e faz parte da equipe de Doze do Pr. José Dalmo Noberto
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