| Mais uma vez o Senhor nos colocou na rota do avivamento. A visita de Randy Clark e sua equipe marcou nossa história, não só pelas centenas e centenas curas durante a cruzada, mas pela transferência de unção que houve sobre a igreja.
Agora precisamos nos mover nesta unção para que ela aumente em nossas vidas e os testemunhos de milagres se multipliquem, tornando-se parte do nosso cotidiano.
Entre muitas coisas que vimos e ouvimos, creio que posso enfatizar algumas como princípios indispensáveis para que nos movamos num forte ministério de cura.
A primeira é o valor de uma fé simples. Não é fé na fé, mas fé em Deus. Explico: muitas vezes enfatizamos tanto a necessidade de crer, que passamos do ponto e passamos a agir como se os milagres e as curas dependessem de nós. Isso não deixa de ser um exercício de soberba, porque deslocamos o centro do sobrenatural para a nossa ação e não para a ação soberana e poderosa do Espírito Santo.
Obviamente não estou dizendo que a nossa fé não seja essencial. Estou apenas colocando as coisas no seu devido lugar. Nós devemos crer de forma muito simples, como uma criancinha crê no seu pai. Oramos por um enfermo e descansamos no fato de que a cura depende de Deus (não de nós) e que Ele quer realizá-la. Assim, deixamos de ser o centro da solução e colocamos o Senhor em seu devido lugar, confiando que Ele agirá. E quando agir, a glória será d'Ele e não nossa.
O segundo princípio que me impactou e que entendi como fundamental para crescermos nesta unção é a compaixão. Compadecer-se é padecer com, sofrer junto, colocar-se no lugar do outro, no caso, o enfermo. Era isso que fazia com Jesus passasse dias inteiros ministrando cura no meio de uma multidão. Foi isso que levou a abençoada equipe que esteve entre nós a gastar tempo ministrando pacientemente a cada pessoa necessitada.
Não é que a cura dependa sempre de muito tempo de ministração. É que, quando o motivo que nos move não é amor de Deus, acabamos “carimbando” as pessoas com uma oração rápida e desinteressada, que quase sempre não resultará em nada. Ao contrário disso, a compaixão desperta em nós o interesse, que por sua vez produz a decisão de permanecer ministrando até que o Senhor opere ou enquanto Ele opera. Ou seja, só estaremos realmente habilitados a nos mover intensamente em cura se a necessidade de ver as pessoas abençoadas for algo decisivo em nosso coração.
Ao terceiro princípio eu chamaria de humildade ou simplicidade. Como isso é importante! Operar em cura é operar com o poder e isso é ao mesmo tempo glorioso e delicado. Não é raro que as pessoas se tornem soberbas ou manifestem altivez quando se sentem com poder.
Vimos, por exemplo, que a palavra de conhecimento ou revelação é um tremendo apoio aos dons de curar. Aprendemos que qualquer crente pode receber uma palavra de conhecimento. No entanto, é preciso humildade para mover nesta área. Precisamos aprender, reconhecer a possibilidade de nos equivocarmos num sentimento e, portanto, tomar cuidados para não defraudarmos pessoas e não manipularmos algo que é sagrado.
Aqui, algumas orientações práticas se fazem necessárias. Quando um ministério de avivamento visita uma igreja, como ocorreu conosco semana passada, a ação de Deus é no sentido de liberar a unção. É como o abrir de um poço de petróleo. Um jato poderoso brota da terra e revela a riqueza antes reclusa. A partir daí devem entrar em ação os ministérios pastorais e de ensino, que visam a canalizar aquela riqueza para que ela não seja perdida ou corrompida. Se você deixar um poço aberto, sem tubulações que direcionem seu conteúdo, o resultado será desperdício e perdas.
A humildade em quem ministra deve ser muito prática. Em primeiro lugar ela se manifestar em submissão aos líderes. Não queremos “free lances”, pessoas que não se submetem a um verdadeiro discipulado e não ouvem os seus líderes exercendo dons de revelação na igreja. Isso seria temerário, pois gente assim está com a cabeça descoberta e as portas abertas para espíritos de enganos e manipulação.
Em segundo lugar, os dons de revelação são para consolar, edificar e encorajar. Infelizmente, algumas pessoas desconhecem essa regra bíblica e passam a trazer palavras de direção ou de acusação para as pessoas, ferindo seus corações e, às vezes, defraudando-as. Por isso, o exercício desses dons deve ser feito na presença dos pastores, que têm maturidade e experiência para julgar.
Em terceiro lugar, precisamos ser humildes no sentido de reconhecer que estamos aprendendo. Sendo assim, não convém chegar a ninguém fazendo afirmações do tipo “Deus me revelou” ou “o Senhor me disse”. Antes, é mais sensato conferir nosso sentimento, fazendo perguntas à pessoa que está sendo ministrada, indagando se o que temos em mente faz sentido para ela. Assim, se a fonte daquela “palavra” é o Senhor, os fatos o confirmarão. Se, por outro lado, for nossa imaginação, não teremos usado o nome do Senhor em vão.
Há muito a aprender e não queremos parar ou guardar esse derramar de um unção como um momento isolado em nossa caminhada como igreja. Nosso papel, como pastores, não é fechar a fonte que foi aberta, mas direcionar seu poder de forma que ele cresça e amadureça. Se você entender isso, nada lhe impedirá de ser usado poderosamente pelo Senhor e continuaremos nos alegrando por ver os doentes sendo curados.
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