Em Atos 4:41-47, ainda na pureza dos seus primeiros passos, sob uma poderosa influência do Espírito Santo, o cristianismo se organizou de forma absolutamente admirável numa comunidade espiritual e multiplicadora.
Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa... louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. (Atos 2:46-47)
O relato de Atos 4:41-47 deve ser tomado como o modelo de excelência a ser perseguido pela igreja hodierna. Ali, ainda na pureza dos seus primeiros passos, sob uma poderosa influência do Espírito Santo, o cristianismo se organizou de forma absolutamente admirável numa comunidade espiritual e multiplicadora.
Não é um detalhe o fato de que a base dessa igreja tenha se definido à reboque do grande derramar do Espírito, ocorrido em Pentecostes. Foi a unção liberada na raiz dessa comunidade e cultivada por aqueles que a ela se agregavam que fez com que tudo trouxesse um caráter divino e não apenas as marcas do poder humano de organização e planejamento.
Se queremos perseguir esse modelo de excelência nos nossos dias, temos que partir dessa verdade. Seria uma tremenda jactância de nossa parte achar que, sem uma poderosa unção do Espírito, podemos reeditar o que aconteceu no nascedouro do cristianismo.
Dito isto, assumindo a necessidade de buscarmos avivamento e a nossa completa dependência da graça de Deus em responder ao nosso clamor, vamos tentar definir, olhando para o relato de Atos 2, o que é uma igreja excelente e quais suas marcas.
O que me salta aos olhos em primeiro lugar é que a igreja em Jerusalém não parava de crescer; na verdade, de se multiplicar. Ela nasce com a conversão de quase três mil pessoas numa única manhã, mas continua crescendo à medida em que o tempo passa. No versículo 47 está o instigante registro de que “acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”. Ou seja, a multidão que se formou não foi apenas fruto de um evento extraordinário, quando Pedro, cheio do Espírito Santo, pregou em Pentecostes, mas de um processo contínuo, operado pelo Senhor, mas à reboque do estilo de vida que aquela comunidade desenvolvia.
Chamam a minha atenção as palavras “enquanto isso” que antecedem o testemunho de que Deus acrescentava todo dia mais gente à igreja, no versículo 47. Enquanto isso o quê? Enquanto a igreja vivia a sua realidade de unção, unidade, obediência, oração, santidade, testemunho, comunhão, enfim, o estilo de vida proposto por Jesus, novas pessoas eram agregadas, o tempo todo. Ou seja, o crescimento contínuo era resultado da fusão entre o mover de Deus (”acrescentava-lhes o Senhor”) e a maneira como aquela comunidade vivia.
Não podemos admitir que estamos num alto nível de excelência como igreja se a realidade da multiplicação não está presente em nossa experiência cotidiana. Uma comunidade que não está crescendo todos os dias, ou está com problemas, ou não chegou ao nível de maturidade a que deve chegar. Jesus foi muito claro ao dizer que nos designou para irmos e darmos frutos permanentes (conf. Jo 15:6). Na mesma ocasião Ele disse que a única maneira de fazermos jus à identidade de discípulos seus é darmos muitos frutos (conf. Jo 15:8). Portanto, a multiplicação está no DNA da igreja e não adianta criarmos teorias do tipo “qualidade x quantidade” para justificar qualquer estagnação, pois elas cairão por terra diante das palavras do Senhor e do testemunho da igreja original. Resta-nos, então, buscar esse crescimento progressivo.
A segunda grande marca dessa igreja excelente é a sua santidade. Lucas testemunha que “em cada alma havia temor” (vs. 43). Ora, o temor é a raiz da santidade. É o senso de profundo respeito e reverência diante de Deus que leva o ser humano a abster-se do pecado e adotar um estilo de vida de acordo com a palavra do Senhor.
De fato, a multidão pela multidão não atinge o propósito eterno de Deus. Seu sonho é “uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus” (conf. Rm 8:29). Isso implica em unidade, quantidade e qualidade!
Muitos líderes evangélicos se contentam em ajuntar multidões, mas esta é apenas uma dimensão do propósito. É necessário também ter o foco em como vive “cada um”. Na igreja excelente de Jerusalém, “em cada alma havia temor”. Não se tratava de um povo empolgado com novidades, congregado pelo movimento, mas insistindo em viver da mesma maneira como vivia antes. Não! Como a mensagem daquela comunidade, reproduzindo a mensagem do próprio Jesus, começava por arrependimento, os que ali eram agregados de fato haviam decidido viver em novidade de vida.
A presença desse povo multiplicador e santo, vivendo debaixo do poder do Espírito, produziu a terceira grande marca dessa igreja excelente: o impacto na sociedade. A Bíblia diz que eles “ganhavam a simpatia de todo o povo” (vs. 47). Ou seja, mesmo os que não se convertiam viam a igreja com bons olhos, porque seu testemunho era bom e sua presença na sociedade, cheia de amor, de manifestações sobrenaturais e de alegria contribuía para o bem estar de todos, mesmos dos que não estavam na fé.
Creio que temos aqui um modelo a perseguir. No dia em que formos uma comunidade que não para de crescer, que revela claramente a santidade de Deus numa vida de temor e que conquista o coração da cidade com serviço e testemunho, estaremos perto do sonho que levou Jesus Cristo à cruz.
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