A parábola dos talentos é um dos ensinos mais completos sobre produtividade ministrados por Jesus. Ali fica clara a expectativa do Senhor em que todos multipliquem, em que seus servos apresentem resultados.
Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Mateus 25:23
Algumas pessoas se sentem desconfortáveis quando um líder destaca discípulos por sua produtividade. Algumas na verdade se ofendem, veem o elogio a um conservo, público ou particular, como se fosse necessariamente um atestado de incompetência ou reprovação aos demais.
Eu, particularmente, costumo elogiar e projetar pessoas que num determinado contexto cumprem bem o seu papel. Quando o faço, não tenho a intenção de fomentar a competição na igreja, nem de menosprezar os demais, mas de honrar os que pagaram um preço para serem bem-sucedidos numa missão e mostrar o exemplo deles como uma referência a ser seguida pelos outros, ao menos naquilo que estão sendo elogiados.
Agora mesmo, quando estamos num grande esforço de evangelismo através das Casas de Paz, tenho feito questão de destacar os líderes que, com suas equipes, estão cumprindo suas metas e até extrapolando-as. Quero que a igreja olhe para eles e os admire por sua fidelidade e esforço. Quero que os demais entendam que é possível e se estimulem em seu exemplo. Afinal, não são “super-homens” ou “super-mulheres” que estão sendo honrados, mas apenas servos que correram para fazer o que lhes foi mandado. Se eles podem, qualquer um pode.
Quem se ofende com a exaltação do sucesso alheio, ou é ainda imaturo, ou está enfermo, desculpe a sinceridade. Se não tratarem sua alma em relação a isso, terão muitos problemas na vida e estarão sempre pelos cantos, sentindo-se os “patinhos feios” da história, dominados pelo melindre. Pessoas assim, ou se juntarão aos improdutivos (para não sentirem a dor de se compararem com quem seja mais eficiente que elas) ou se afastarão dos melhores líderes, que ao meu ver são aqueles que buscam resultados e instigam seus seguidores a crescer.
Se para você boa liderança é aquela que lhe deixa confortável onde está, que não lhe desafia e nem lhe cobra avanços, temos conceitos bem diferentes do que deve ser o papel de um líder...
Eu já disse de púlpito que quero uma igreja de trigo e não de joio. Por joio, refiro-me aos que têm toda a aparência de cristãos, sugam os nutrientes da terra, mas recusam-se a dar frutos. Não vou criar um programa para os que querem viver confortáveis e sem pressão e nem mudarei o nosso estilo e visão apenas para não incomodar ninguém.
Eu me esforço por seguir o modelo de liderança que vejo em Jesus. Ela dava e cobrava. Era capaz de repreender seus discípulos publicamente, chamando-os de “homens de pequena fé”, por exemplo, assim como era capaz de elogiar diante de todos aquele que merecia um elogio. Quando exaltou a Pedro por ter verbalizado a revelação de que Ele era “o Cristo, o Filho do Deus vivo”, Jesus não o fez em particular, mas diante de todos os demais. Ele não estava preocupado com os melindres que um elogio assim poderia gerar na equipe, até porque uma das coisas necessárias no processo de amadurecimento daqueles homens era vencer os melindres e aprender a alegrarem-se com o sucesso dos outros, dando “honra a quem honra”.
A parábola dos talentos é um dos ensinos mais completos sobre o assunto ministrados por Jesus. Ali fica clara a expectativa do Senhor em que todos multipliquem, em que seus servos apresentem resultados. Ele não admite como normal o comportamento daquele que não produz. Além disso, ele elogia e dá destaque aos servos que multiplicaram o que lhes foi confiado. Tanto ao que granjeou dois novos talentos, quanto ao que conquistou cinco, suas palavras foram de exaltação: “Muito bem, servo bom e fiel... Entra na alegria do teu senhor”.
As pessoas têm capacidades diferentes. Um bom líder sabe disso. Ele não espera de todos o mesmo resultado, mas o mesmo empenho. Perceba nas palavras de Jesus que o servo “bom” é “fiel” e o servo “mau” é “negligente”. Portanto, o elogio não é feito em cima de comparação, mas da missão que foi dada a cada um. Tanto o que trouxe cinco novos talentos, quanto o que trouxe dois foram honrados. Suas capacidades eram diferentes, seus resultados também o foram, mas a fidelidade foi igual. O que não se admite é a atitude do que não quer envolver-se e nem ser cobrado. A esse, que enterra sua missão, Jesus desqualifica.
Estamos num tempo em que toda a igreja foi desafiada a uma missão: pregar o evangelho e encontrar ao menos um Filho da Paz. A maioria está fazendo isso e merece honra. Quem, porém, se esconde em justificativas e não move uma palha, negando-se a fazer algo tão básico e simples para Deus, está exercendo a sua liberdade. Só não espere aprovação da nossa parte e nem se melindre quando os fiéis são aplaudidos e entram no gozo de seus pastores (e de seu Deus).
Caim se mordeu quando a oferta de seu irmão foi aceita e a sua, que consistia em restos, não. Amargurou-se com o sucesso do seu irmão e resolveu matá-lo. Faria melhor se simplesmente tivesse seguido o exemplo de Abel, o que foi fiel, ao invés de entregar-se ao fel da inveja e voltar-se contra ele. Destruiu sua própria vida e ainda prejudicou quem estava agradando a Deus.
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