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A prosperidade do fundo do poço

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O ápice do êxito na vida do homem Jesus não aconteceu quando sua fama se espalhou por toda a Judéia e circunvizinhança, nem quando o povo o quis aclamar como rei. Jesus chegou ao topo da prosperidade na cruz.

"Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso,  me abomino e me arrependo no pó e na cinza" - Jó 42:6

O que é prosperar? Prosperar é avançar na direção do plano de Deus para minha vida.

Imagine duas situações: na primeira, um homem muito rico e respeitado, bem-sucedido, chefe de uma família unida e amorosa, cheio de saúde. Ele está diante de um altar prestando culto a Deus. Na segunda, um homem falido, que perdeu tudo o que tinha, inclusive a saúde e a família. Ninguém o respeita e ele está diante do mesmo altar, prestando culto a Deus... Qual desses homens deve ser considerado próspero?

Eu estou falando de um mesmo homem, em momentos distintos de sua vida. Seu nome é Jó e, surpreendentemente, é na segunda cena que ele está prosperando, pois está caminhando para o que Deus quer.

Quer outro exemplo? O ápice do êxito na vida do homem Jesus não aconteceu quando sua fama se espalhou por toda a Judéia e circunvizinhança, nem quando o povo o quis aclamar como rei. Jesus chegou ao topo da prosperidade na cruz, entregando sua vida e cumprindo, finalmente, a grande missão pela qual tinha vindo à terra.

Voltando à história de Jó, tratava-se de um homem admirável. Sua integridade impressionava até a Deus. Sua vida era um modelo em praticamente todas as áreas. Mas, de repente, houve uma "aposta" no céu. Satanás, como muitas vezes faz em relação a nós, quis provar a Deus que aquele homem não passava de um "interesseiro". E o Senhor "co-locou a mão no fogo” pelo seu servo e aceitou o desafio do inferno.

Chegou, então, o dia das más notícias. Jó perdeu, num lapso curtíssimo de tempo, tudo o que tinha. Faliu financeiramente, sofreu a morte dos dez filhos numa catástrofe e finalmente caiu enfermo de grave doença. Foi para o fundo do poço. Enfermo, pele e osso, ele ainda teve que amargar as acusações de seus amigos e a apostasia de sua mulher.

O que mais afligia sua alma era a terrível indagação: Por que tanto sofrimento? No capítulo 3, ele atira esta pergunta dezesseis vezes para o céu, sem obter resposta. Até aqueles que poderiam ajudá-lo, seus amigos, pioravam a situação. Elifaz, Bildade e Zofar, após sete dias de silêncio, abriram os lábios para acusar Jó. Por vinte e sete capítulos (do 4 ao 31) um diálogo de acusações e defesas resume o sofrimento desse servo de Deus. Seus amigos dizem: "Você é mau, por isso está sofrendo". Jó responde: "Eu sou bom. Deus está sendo injusto comigo".

O surpreendente é que, quando o Senhor se revela, não responde às interrogações de Jó. Ao contrário, mostra sua grandeza e a insignificância do homem. Ao invés de responder, Deus enche Jó de perguntas. E é aí, no capítulo 42, que vem a grande virada e ela acontece, em primeiro lugar porque Jó tem uma visão da grandeza e, especialmente, da soberania de Deus. Talvez, pela primeira vez na vida, ele vê Deus como Deus, não como um homem forte. “Então respondeu Jó ao Senhor: Bem sei que tudo podes e que nenhum dos teus planos pode ser frustrado... Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem” (Jó 42:1,2).

Enquanto não enxergarmos e aceitarmos a soberania de Deus, nunca provaremos a plenitude da prosperidade. O Deus que dá tudo, tem o direito de requerer tudo.

Jó precisou abrir mão do seu orgulho e justiça própria. Diante de um encontro com o Senhor, ele teve uma visão de sua miséria e indignidade. Suas palavras foram: “Quem é este, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia. Coisas grandes demais para mim. Coisas que eu não entendia. Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem. por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42:3,5,6).

Jó era bom e íntegro. Era fiel. Faltava-lhe apenas uma coisa: ser humilde. Por isso, com o propósito de torná-lo um homem quebrantado, Deus o expôs às perdas e ao diabo. Não foi uma aposta irresponsável. Deus não brinca com nossas vidas. Era, antes de tudo, uma cirurgia profunda na alma daquele homem, para torná-lo alguém melhor.

Jó teve também que aprender a dar sem a perspectiva de receber de volta. Antes ele abençoava as pessoas porque tinha de sobra e todos o honravam. Por muitos anos colheu os dividendos da sua bondade. Agora, porém,  Deus o desafiava a ser uma bênção na escassez, mesmo na vida daqueles que não lhe pareciam dignos. E é impressionante o que está escrito no versículo 10: "Deus mudou a sorte de Jó enquanto ele orava pelos seus amigos". Há duas coisas maravilhosas a considerar aqui: Primeiro, ele foi desafiado a servir e abençoar ainda falido, envergonhado e doente! Quando alguém age assim, é porque entendeu as prioridades da vida. Em segundo lugar, foi levado a começar por aqueles que lhe pareciam indignos da bênção, os amigos que o haviam esmagado com acusações.

Muitas vezes, do alto da nossa justiça própria, nos assemelhamos ao religioso da parábola, que desprezava o publicano em seu coração. Porém, a prosperidade segundo Deus, faz-nos ser, antes de tudo, abençoadores.

Quem olha para a última cena da vida de Jó, depois de ter gerado outros dez filhos, ser curado e receber duplicada a fortuna que perdera, certamente diz: aqui está um homem próspero. Mas havia mais do que riqueza visível nessa fase de sua história. Havia um coração tratado. E esse tesouro foi conquistado em meio à profunda dor. Sob essa perspectiva, o fundo do poço foi o lugar onde Jó mais prosperou em Deus.

 

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