Mais dois conceitos que o apóstolo Paulo ensinou aos irmãos de Corinto sobre sermos uma Carta Viva: compaixão e unidade.
"Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, produzida por nosso ministério e escrita... não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.” II Coríntios 3:3
Dando sequência à reflexão que começamos a fazer sobre a igreja como carta de Cristo, baseando-nos nas palavras de Paulo em II Coríntios 3:3, vamos pensar sob dois prismas muito importantes: compaixão e unidade. Anteriormente havíamos tratado de responsabilidade, formação e unção.
A compaixão é um conceito fundamental para que cumpramos o nosso papel como carta de Cristo aos homens perdidos. Temos que nos tornar mais e mais uma igreja que sente (e não apenas que projeta, que trabalha, que faz). O apóstolo Paulo diz que a mensagem de Deus em nós é escrita, "não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração".
A Nova Aliança, prenunciada pelos profetas, se estabelece em nós através de uma troca de coração. Isso se faz necessário porque coração da religião é duro, insensível e egocêntrico. Esta foi a denúncia de Jesus, ao contar a história do bom samaritano. Ali, diante de um pobre homem que fora assaltado e espancado, a atitude do sacerdote e do levita, figuras religiosas, foi de "passarem de largo", de não envolverem-se, talvez porque estivessem mais preocupados em cumprir seus ritos do que em amar.
Precisamos de um co-ração mole, que sente. Compadecer-se é padecer com, é sentir o sofrimento que o outro está sentindo. Esta tem que ser nossa grande motivação ao fazermos a obra de Deus.
A compaixão movia Jesus, era seu combustível. Por isso Ele chorou por Jerusalém, chorou por uma família enlutada, deixou muitas vezes o direito ao descanso para ministrar às multidões. Mais do que uma agenda de resultados, o que levava Jesus a dar o seu melhor e envolver sua alma na obra que fazia era o amor que sentia por cada ser humano.
Quando não temos isso dentro de nós, o ministério se torna pesado. Se não houver amor em nossa alma, haverá enfado na obra. A Bíblia diz que Jacó trabalhou sete anos por Raquel e estes lhe pareceram como poucos dias, “pelo muito que a amava”. Quanto maior o sentimento no que realizamos, menor será o esforço.
Além da compaixão, o outro conceito embutido em II Coríntios 3:3 é unidade. O texto não diz que nós somos "as" cartas, mas que nós somos "a" carta de Cristo.
A unidade não é um detalhe, mas um fundamento para o sucesso do nosso ministério. Na sua última oração, Jesus expressou o caráter dramático da unidade... Se você estivesse prestes a morrer, que oração faria? Pediria um carro importado? Uma casa com piscina? Uma viagem à Disney? Não. Qualquer um de nós oraria por coisas fundamentais (nossa família, nossos discípulos, a perpetuação dos valores que construímos na vida...). Pois bem, sabe qual foi o clamor de Jesus à sombra da cruz? "Pai, que eles sejam um, como eu e tu somos um, para que o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17:21).
Não deveria haver divisão, contendas ou facções entre nós. Se não formos um povo unido, que se move pelos mesmos sentimentos e que fala a mesma língua, o mundo não entenderá. Uma parte da nossa ineficácia em revelar a graça de Deus é devido ao fato de nos apresentarmos como uma carta rasgada, partida aos pedaços, cada grupo reivindicando a sua legitimidade e, alguns, a exclusividade. Enquanto isso, o mundo, atônito, contempla a nossa divisão e não consegue perceber nenhuma coerência ou nexo na mensagem do amor de Deus que trazemos.
A oração de Jesus pela unidade da igreja tem uma conotação dramática. Ele estava prestes a entregar a vida pela salvação dos homens, mas sabia que tudo seria em vão e que o mundo não creria, caso seus discípulos estivessem divididos. Só isso já deveria ser argumento suficiente para deixarmos os nossos caprichos e nos esforçarmos "diligentemente para preservar entre nós a unidade do Espírito pelo vínculo da paz", como exorta Paulo em Efésios 4:3.
Obviamente, a unidade custa um alto preço. Nosso desafio é conviver na igreja com pessoas diferentes, de gostos distintos e, pior, todos trazendo seus próprios defeitos e limites. A não ser que fluamos no mesmo amor que fez o Deus Santíssimo nos perdoar e aceitar, não temos como vencer nossas distâncias. Porém, se compreendermos quão fundamental é nossa unidade para o êxito do ministério que está sobre nós, nos esforçaremos e o nosso Deus nos dará seu favor. Esta é a única chance de fazermos nossa geração entender o evangelho que portamos.
Espero ter conseguido despertar seu coração para a importância de assumir a responsabilidade, permitir que um ministério lhe produza, submeter-se à unção do Espírito Santo, buscar um coração compassivo e esforçar-se para aperfeiçoar a unidade da igreja. Somos a única carta de Deus aos homens perdidos que, no corredor da morte eterna, só têm uma chance de salvação: que cheguemos aonde estão e que a mensagem do evangelho seja clara em nós. Se formos mal-sucedidos nessa tarefa, tornaremos vão o sacrifício de Jesus para nossa geração. Por outro lado, se cumprirmos bem nosso papel, resgataremos uma multidão de filhos perdidos de Deus e certamente receberemos o galardão por fazer o que Ele mais espera de nós.
Leia a palavra anterior AQUI
Edifique-se
- Levantando valentes do meio do monturo
- Um grande exército forjado dos ossos secos
- Decidindo não perder uma oportunidade de Deus
- O amor da graça ou o medo da lei?
- Praticando o amor em três dimensões
- Vendendo gato por lebre
- Quando a morte entrou em minha casa
- O rebanho de Jacó crescendo mais que o de Labão
- Varas marcadas para multiplicar o rebanho de Jacó
- Mudando a roupa e mantendo o coração
- Vivendo a vida como quem troca de roupa
- A Igreja e Israel: uma dívida de gratidão
- A prosperidade do fundo do poço
- Tenha coragem para fazer a diferença
- Levante seus doze neste ano de 2012
- Seja relevante ainda que não seja evidente
- Ponha ordem na desordem
- O Verbo se fez carne e habitou entre nós
- Resolvendo as pendências para entrar nas promessas
- Decepcionado comigo mesmo
- Para que o mundo creia no amor de Deus
- Carta de Deus aos filhos perdidos
- Não troque o certo pelo duvidoso
- A oportunidade da sua vida
- Unção e serviço nas bases do chamado
- Sofrer faz parte do chamado
- Aliança no corpo de Cristo
- Cristãos comprometidos
- O templo e a glória
- Um lugar de excelência
- Guardador do meu irmão
- A síndrome de Caim
- Servo bom e fiel
- Crise numa casa de paz
- Um sacerdote fiel
- Os segredos do homem feliz
- Chamado e obediência
- Suscitando os valentes
- Criados para frutificar
- Missionários todo o tempo
- Quatro questões cruciais
- Casado com o trabalho?
- A janela da amargura
- Uma igreja excelente
- A dinâmica do pecado
- Um caminho mais excelente
- Excelência ao Senhor
- Restaurando os desistidos
- Minha semente para o milagre
- Não entregue o seu segredo
- Os segredos de José - 2
- Os segredos de José - 1
- A imagem que o rei levantou
- O preço da transformação
- Azeite estragado
- O grande resgate
- A questão do aborto
- Devo, não nego. Assumo pagar!
- Como água e óleo
- Use o voto para manter a fé
- Qual é o Brasil que queremos?
- Um chamado inegável
- O sacerdócio que precisa morrer
- Mentalidade de vencedor
- Um lugar para a arca
- A alegria de ser usado por Deus
- Atitude para um novo tempo
- Pedofilia, aqui não!
- Liderança é influência
- Dia de boas novas
- A dinâmica da cura divina
- Os três níveis da prosperidade
- Reconstruindo pontes
- Coluna e baluarte da verdade
Ribeirão Preto SP - CEP 14055-100 - Fone: +55 16 3633-5957
comcrist@comcrist.org Desenvolvido por Atual Interativa