O homem natural não compreende as coisas do Espírito (I Co 2:14). É preciso sensibilidade espiritual para discernir os caminhos do Senhor e esta sensibilidade muitas vezes é desenvolvida em nós através de lutas, oposições e humilhação.
Como é importante discernir o tempo de Deus para cada propósito em nossa vida. Muitas vezes estamos ligados apenas no “chronos” (tempo natural) e não entendemos o “kairós” (tempo de Deus).
Ainda refletindo sobre a vida de José e o momento em que o Senhor mudou todo o seu sofrimento em honra, levantando-o como administrador das riquezas do Egito, foi fundamental nesse processo o fato de que ele aprendeu a discernir e sincronizar seu coração com o que Deus estava para fazer.
O homem natural não compreende as coisas do Espírito (I Co 2:14). É preciso sensibilidade espiritual para discernir os caminhos do Senhor e esta sensibilidade muitas vezes é desenvolvida em nós através de lutas, oposições e humilhação.
José trilhou essa vereda. Depois de 13 anos como escravo no Egito, boa parte deles passada no cárcere, esse homem desenvolveu a percepção necessária para aproveitar a grande oportunidade de sua vida e tornar-se um líder de grande êxito.
Uma das chaves para este sucesso foi o fato de que José percebeu no espírito o tempo da colheita sobrenatural. Durante 7 anos Deus visitaria as plantações do Egito e liberaria uma unção tremenda de frutificação. Aquilo não era o prognóstico dos especialistas em agricultura ou meteorologia, não provinha de ciência natural, mas de uma revelação espiritual. Foi baseado nesta revelação que José achou graça aos olhos de Faraó e estabeleceu um plano estratégico que envolveu toda a nação na maior colheita de sua história. Este jovem líder, não apenas entendeu a unção que Deus estava por liberar, como agiu em cima desta revelação e demonstrou uma maravilhosa capacidade de transmitir sua fé, influenciando por ela milhões de pessoas.
Todos os anos o Egito vivia os ciclos naturais de plantio e colheita, mas o Senhor estava por fazer algo além das medidas. Obviamente, a grande ceifa não viria sem o trabalho do plantio, mas Deus visitaria as sementes plantadas e daria um crescimento assombroso. José discerniu esse tempo e trabalhou duro para não perdê-lo... Diz a Bíblia que, ao ser nomeado administrador de Faraó, ele não foi gozar do conforto de um palácio, mas “andou por toda a terra do Egito” (Gn 41:46). Em outras palavras, já que a unção das vacas gordas estava vindo, José arregaçou as mangas e se pôs a trabalhar.
Como precisamos dessa sensibilidade e disposição na igreja! Há épocas em que semeamos e colhemos num nível natural, mas há momentos em que Deus libera uma unção sobrenatural de multiplicação e precisamos nos mover para não perdê-la. Creio que vivemos um momento assim agora! Há um favor especial liberado do céu para ganharmos almas, mas essa colheita não baterá à nossa porta. É necessário nos esforçarmos e nos movermos em direção à ela, caso contrário, a perderemos.
A outra grande chave de José naquele momento especial foi investir diligentemente no princípio da consolidação. O estupendo sucesso desse jovem líder e do povo que conduziu não foi apenas colher com abundância, mas investir em estruturas que pudessem preservar o fruto para os tempos de escassez. Durante os sete anos de abundância, celeiros foram erguidos ao redor das cidades para guardar os grãos colhidos e foi isso que garantiu a abundância, mesmo no tempo da seca.
A igreja precisa entender o princípio da consolidação. Às vezes nos esforçamos grandemente para ganhar vidas e até nos entusiasmamos com o nível de colheita que estamos vivendo, mas pouco tempo depois procuramos os frutos e não os encontramos mais. Porque isso acontece? Porque não demos à consolidação a mesma importância que demos à semeadura e à ceifa.
Assim como aconteceu no Egito, precisamos de celeiros que protejam os frutos. Refiro-me à estruturas de integração dos novos convertidos. Na visão celular há ferramentas simples como a fonovisita, o acompanhamento pessoal, a célula, pré-encontro, encontro e pós-encontro... Tudo isso funciona como armazéns que guardam o fruto colhido. Em cada uma dessas estruturas precisamos manter um nível de excelência, não permitindo que as coisas sejam feitas de qualquer maneira, sem zelo e dedicação.
O outro elemento-chave da consolidação é o consolidador. Cada um de nós precisa ser alguém que tem o coração nisso e que não descansa até ver os novos discípulos realmente firmados na fé. Não raramente percebo que perdemos alguém, não porque não havia estruturas adequadas na igreja para fortalecer aquela pessoa, mas porque não havia crentes dedicados o suficiente para conduzi-la às estruturas. Assim como os feixes não vão ao celeiro, por melhor que este seja, por conta própria, também um novo convertido não será integrado na vida da igreja se alguém não se dispuser a levá-lo nas costas.
* Leia também "Os segredos de José - 1"
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