Jesus está lhe perguntando: “Que queres que eu te faça?” Se seu desejo é vê-lo fazendo o impossível em sua vida, prepare uma semente louca para o milagre. Ou então, acomode-se a aplaudir o que Ele fará na vida de outros...
De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam. (Hebreus 11:6)
Deus quer fazer coisas extraordinárias em nossas vidas! Seu caráter generoso está sempre buscando uma ocasião para operar sobrenaturalmente e acrescentar à nossa existência aquilo que naturalmente não podemos conquistar. Os milagres são uma linguagem do seu amor por nós.
Precisamos, no entanto, entender a dinâmica dos milagres. Eles sempre acontecem numa parceria entre Deus e o homem, onde um entra com o poder ilimitado que tem e o outro entra com a fé. Quando esta “química” se estabelece, o impossível deixa de existir.
O primeiro passo que precisamos dar é definir claramente o que queremos conquistar no Senhor. Muitas pessoas ficam travadas pela falta de objetividade, por não serem específicas em sua busca.
Um dia Jesus fez uma pergunta aparentemente tola a um cego: “Que queres que eu te faça?” A resposta para nós pode parecer óbvia. O homem respondeu: “Que eu veja”. No entanto, tal resposta foi uma indicação de que sua expectativa era alta e ousada. Ele poderia, como muitos fazem, simplesmente ter pedido algo que coubesse na lógica humana. Poderia dizer: “Que o Senhor me ajude a viver feliz, mesmo com a cegueira” ou “que o Senhor abençoe minha família, já que não posso trabalhar como qualquer outra pessoa”... Seriam boas expectativas, mas naturais. Quando, porém, ele definiu o enxergar como seu objetivo na presença de Jesus, apontou para o sobrenatural, para o campo dos milagres.
Uma vez que tenhamos um propósito sobrenatural definido, é hora de exercitarmos a fé. Isso vai além de ter um desejo no coração. Querer algo e até mesmo expressar isso diante de Deus não significa muita coisa. É preciso que usemos a única chave que nos introduz no mundo dos milagres: a nossa fé. Agora, torna-se muito importante compreendermos que a fé é mais do que guardar um desejo ou uma expectativa no coração. Ela demanda uma atitude. Fé é ação! Paulo ensina que a fé, sem obras, sem sinais práticos, é morta, não tem poder algum.
Aquele cego chamado Bartimeu fez loucuras para legitimar a sua convicção interior. Leia o relato de Marcos 10:46-52 e você verá que, antes mesmo de qualquer manifestação de Jesus, esse homem já gritava freneticamente para chamar sua atenção e, quando convidado a aproximar-se, “lançou de si a capa” e foi ter com o Senhor.
Procure entender esse gesto. Bartimeu, segundo a Bíblia, era um mendigo. Ao jogar fora aquela capa, ele estava abrindo mão da indumentária que o identificava como um pedinte. Antes mesmo de receber o milagre, ele já foi tomando atitudes que demonstravam sua certeza de que entraria no sobrenatural e nunca mais precisaria pedir esmolas e se vestir como um pobre coitado.
O fé se antecipa! Como ela é “certeza do que se espera, convicção do que não se pode ver ainda” (conf. Hb 11:1), nos leva a manifestar sinais visíveis de que confiamos plenamente na intervenção de Deus em nosso favor. Isso pode ser chamado de “semente para o milagre”. Pense comigo: um lavrador toma todos os recursos que tem e compra sementes. Depois, lança-as na terra e fica sem nada na mãos. Por que ele o faz? Porque tem certeza de que as sementes germinarão e darão o fruto abundante. Embora ele não esteja vendo, a convicção o move. O que aconteceria, porém, se ele não se antecipasse e não lançasse as sementes? Nada aconteceria, por mais que ele esperasse uma grande colheita. Sem a semeadura prévia, sua “fé” seria ineficaz...
Deixe-me ilustrar isso com outro exemplo bíblico. Deus manda Elias ir para Sarepta, pois lá encontraria uma viúva que iria sustentá-lo por um tempo. Ao chegar, ele se depara com uma pobre senhora catando gravetos para fazer um último bolo que suas reservas permitiam, a fim de comê-lo com seu filho e depois morrerem de fome. Essa era a perspectiva natural, pois no espiritual o Senhor já via aquela mulher debaixo de tanta prosperidade que poderia sustentar um profeta.
Aí vem o grande desafio: lançar a semente de fé. O profeta desafia aquela mulher a crer que o pouco de azeite e farinha que lhe restava se multiplicaria abundantemente. No entanto, ela precisaria dar um sinal do quanto cria seu coração. Mesmo não tendo quase nada, deveria fazer um bolo e entregá-lo como oferta ao homem de Deus... Uma loucura! Como, com tão pouco, poderia ofertar assim? Com a mesma atitude que leva o lavrador a lançar na terra tudo o que tem, na expectativa de colher depois multiplicadamente mais!
Você deve conhecer o desfecho dessa história. A viúva de Sarepta tinha uma fé viva. Ela semeou, contra todos os argumentos racionais, e o que resultou disso foi um milagre de multiplicação extraordinário.
Termino com um exemplo e testemunho pessoal. Há cerca de três anos, eu e minha família havíamos concebido uma viagem de férias. Queríamos, pela primeira vez juntos, desfrutar de um passeio internacional, indo para os Estados Unidos. Passei a poupar para isso, respeitando outras prioridades como nosso sustento, o estudo de nossos filhos e os compromissos que tínhamos com o reino de Deus. Depois de um ano, eu havia guardado mais ou menos metade do valor que precisávamos para aquele sonho... Foi aí que o Senhor desafiou a nossa fé. Poderíamos continuar naquela perspectiva natural e, se nada saísse dos trilhos, com mais um ou dois anos teríamos juntado o recurso necessário. Ou poderíamos escolher um caminho sobrenatural, fazendo uma semeadura louca de fé...
Foi essa a opção que escolhemos como família. Pegamos tudo o que tínhamos acumulado para a viagem e semeamos como oferta na casa de Deus. Como um lavrador, ficamos sem nada, esperando nossa semente germinar e frutificar. Sabe o que aconteceu? Um ano depois estávamos indo para três semanas maravilhosas na América do Norte! Como? Deus moveu pessoas de lá, que não conheciam a história da nossa semeadura, e elas amorosamente nos presentearam com tudo o que precisávamos: passagens aéreas, hospedagem, aluguel de carro, alimentação e muitas regalias mais... Aleluia! E você pensa que acabou? Agora, um ano depois de cumprido sobrenaturalmente nosso sonho, estamos arrumando as malas como família para mais uma bela viagem de férias internacional. Recentemente, uma companhia aérea nos ofereceu, de graça, duas passagens aéreas para os Estados Unidos. Claro que aceitamos! E, enquanto nos organizávamos para comprar as outras duas, alguém nos disse: “Eu tenho muitos pontos no meu programa de milhagem e não vou usar. Vocês não querem comprar as passagens que faltam com esses pontos?” E assim, mais uma vez, e para muito além das nossas expectativas, estamos vendo a mão de Deus movendo o sobrenatural para viabilizar os nossos sonhos...
O que você quer conquistar em 2011 e que teria que ser classificado como um grande milagre, pois está além de suas possibilidades naturais? Jesus está lhe perguntando: “Que queres que eu te faça?” Busque uma resposta ousada para essa questão e, se quiser mesmo ver o Senhor fazendo o impossível, prepare uma semente louca para o milagre. Ou então, acomode-se a aplaudir o que Ele fará na vida dos outros...
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