A aliança entre Rute e Noemi é uma maravilhosa alegoria profética da relação entre a Igreja e a nação de Israel.
Rute era uma moabita. Não tinha nenhuma raiz espiritual e não conhecia o Deus verdadeiro. Noemi era uma israelita e, como tal, herdeira das promessas feitas a Abraão. O propósito de Deus e a catástrofe uniram essas duas mulheres. Em certo tempo, ambas se viram viúvas e reféns da pobreza. Ligadas apenas por um passado que já não fazia mais sentido, já que Rute era nora de Noemi e seus maridos haviam falecido, podiam separar-se para ali sempre.
Foi então que Rute fez a aliança que definiu o destino de muitas gerações. Reconhecendo que Noemi, embora em profunda miséria, tinha direito à bênção de Yaweh por ser filha de Abraão, fez a declaração solene: “Não me instes para que te deixe, pois aonde quer que fores, irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu. Teu povo é o meu povo, teu Deus é o meu Deus. Assim me faça o Senhor e outro tanto, se qualquer coisa que não seja a morte me separar de ti” (Rt 1:16:17).
Naquele momento, Noemi não tinha nada o que dar, pois vivia a vergonha e a pobreza de sua viuvez, mas levou Rute para Belém e a orientou, até que esta conheceu Boaz, homem rico e temente a Deus, que a desposou e lhe deu uma descendência bendita. Quando, finalmente, já abastada e próspera, Rute deu à luz um filho, as mulheres de Israel proclamaram: “A Noemi nasceu um filho. E lhe chamaram Obede. Este é o pai de Jessé, pai de Davi” (Rt 4:17). Assim, na pobreza de Noemi, Rute prosperou e na prosperidade de Rute, Noemi foi honrada. A aliança entre elas nunca se quebrou e se tornou uma das mais lindas histórias da Bíblia...
Temos na relação entre Rute e Noemi, uma figura do que acontece entre a igreja gentílica (nós, crentes de todas as nações) e Israel. Não tínhamos direito à herança. Vínhamos de uma linhagem maldita. Porém, na pobreza dos judeus conhecemos o nosso Boaz, Jesus de Nazaré. Na verdade, diz Paulo, Deus endureceu o coração do seu povo, que rejeitou o Messias, para que a bênção da salvação chegasse até nós.
Israel paga um preço alto desde que rejeitou o Filho de Deus. Disperso por tantos lugares, perseguido entre as nações e, mesmo agora que voltou à sua terra, oprimido por todos os que estão ao seu redor, este povo vive por séculos de amargura. Mas foi a sua pobreza que nos trouxe salvação. Nosso Amado Yeshua, como Boaz, é um Judeu e nos fez herdeiros das promessas, nós o que não tínhamos raiz e nem direito.
A igreja prosperou. Em todos os cantos da terra há gentios que invocam o nome de Jesus e experimentam a sua abundância. Mas, e Israel? Deus se esqueceu do seu povo? Os judeus viverão até o fim na cegueira espiritual?
A resposta é: não! Embora só haja salvação em Cristo, e todos os que o rejeitam, sejam gentios ou judeus, terminem contados como perdidos, há promessas na Bíblia que falam de um remanescente de judeus que será salvo nos últimos tempos. E como foi nos tempos de Rute, em que na sua bênção Noemi foi abençoada, nos dias do fim a igreja será usada para estender as mãos e abençoar Israel com amor e salvação.
Devemos esperar antes da volta de Jesus um grande avivamento em Israel, com a conversão de multidões de judeus. Na verdade, precisamos participar disso com nossas orações, com nosso amor prático e com nosso testemunho. Aproximam-se os dias em que Israel será completamente desamparado pelas poucas nações que ainda lhe dão cobertura, principalmente os Estados Unidos e, então, os inimigos à espreita o atacarão impiedosa-mente. Nesse momento de grande tribulação, não tendo a quem recorrer, Israel voltará os olhos para o céu e conhecerá o poder e o amor do Messias, que um dia rejeitou. E a igreja dos gentios, nós, terá um papel fundamental nesse processo, por ser o único povo da terra que não negará sua aliança com os filhos de Abraão.
Na verdade, esse processo já começou e precisa avolumar-se. O mínimo que podemos fazer ao povo que nos deu o Messias e do qual herdamos a salvação é honrá-lo agora, nos dias da nossa prosperidade. E, quando a nação escolhida por Deus provar a graça, o nosso Amado voltará e estabelecerá o seu reino para sempre sobre a terra. Que chegue logo esse dia, pois como diz Paulo: “Se a transgressão deles redundou em riqueza para o mundo, e o seu abatimento, em riqueza para os gentios, como não será a sua plenitude!” (Rm 11:12).
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