Não vamos mudar o Brasil se continuarmos dizendo que política é do diabo, que dinheiro é do diabo, que ciência é do diabo. Se não ousarmos tomar esses territórios, continuaremos sofrendo, apesar das profecias.
"Então, disseram uns para os outros: Não fazemos bem; este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei." (II Reis 7:9)
A realidade do povo de Samaria não era muito diferente da de nossa nação brasileira hoje. Governantes cheios de arrogância, pecado a céu aberto e um povo sitiado por seus inimigos, “comendo o pão que o diabo amassou”...
Naqueles dias, os absurdos produzidos pela miséria eram tão grandes, que vendia-se por muito dinheiro uma cabeça de jumento ou um punhado de esterco de pombas. Ou seja, pagava-se caro por lixo. Mas o pior não era o valor das coisas, mas o valor atribuído à vida alheia. O caso de uma mulher que negociou o filho para ser cozido revela bem o nível do absurdo.
Chocante, mas nada muito diferente do que ocorre nos muitos rincões desse nosso imenso Brasil. Se não é assim, vejamos...
Nosso povo vive ainda debaixo de governantes sem temor a Deus, cheios de arrogância e esperteza. Homens que só querem uma bênção do povo santo: o seu voto e nada mais!
A legalidade dada aos demônios pelos pecados da nação tem sido usada. Nosso povo, mergulhado na miséria espiritual, continua pagando muito por porcaria. São pais de família trocando seus casamentos pela aventura do adultério, ou pagando mais um trago no boteco com a moeda da dignidade. São jovens negociando a saúde mental, física e social em troca do pó da morte, ou pessoas bem intencionados, religiosas, investindo esperança, dinheiro e muito mais no engano da idolatria ou da feitiçaria dos terreiros e mesas brancas.
Quanto vale a vida humana em nossas cidades? Não mais que dentro das portas de Samaria. Se lá uma criança valia um jantar, aqui vale um par de tênis, uma bicicleta ou o prazer insano de um pedófilo...
Como mudar tanto descalabro? Será possível? Nos dias da Samaria sitiada foi! E o que Deus usou? Basicamente, dois elementos: a voz profética de Eliseu e a coragem prática de quatro leprosos. Talvez aqui seja melhor você parar e ler a narrativa de II Reis 7.
Diante de tamanho caos social, Eliseu liberou a palavra sobre os céus de Samaria. Este é sempre o começo de qualquer avivamento. E, nesse quesito temos feito como Igreja o nosso papel. Ao longo dos últimos anos, os crentes brasileiros têm orado e profetizado sobre esta nação o suficiente para causar muito barulho nos regiões celestiais. Não podemos parar, mas o respaldo profético já é poderoso.
Agora é hora de agir. Aqueles quatro leprosos, embora aparentemente desqualificados, viabilizaram a transformação. E qual foi sua maior virtude para tamanho feito? A coragem!
Sim, eles tiveram coragem de entrar no arraial dos inimigos. Fizeram isso porque chegaram à conclusão de que não tinham nada a perder. É gente assim que opera os avivamentos, gente desprovida de orgulho, que não considera a sua própria vida por preciosa, a não ser que cumpra a carreira e o ministério dados pelo Senhor (conf. At 20:24), que está disposta a invadir, ainda que isso lhe custe riscos.
Não vamos mudar o Brasil se continuarmos dizendo que política é do diabo, que música barulhenta é do diabo, que dinheiro é do diabo, que ciência é do diabo. Se não invadirmos esses arraiais, se não ousarmos tomar esses territórios, continuaremos sofrendo, a despeito das profecias.
Aqueles quatro homens tiveram também coragem de compartilhar, de repartir, de proclamar. Não se contentaram em lambuzar-se com a bênção nas tendas do milagre, mas tiveram a consciência, a sensibilidade e a nobreza de perceber que, além deles, havia um povo em terrível miséria precisando de salvação e ousaram anunciar o caminho que haviam descoberto. Suas palavras são um fogo na nossa consciência. Depois de desfrutarem da abundância do Senhor, disseram uns aos outros: “Não fazemos bem; este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei” (vs. 9).
Igreja, desperta! Além de nossas tendas de unção há um povo sitiado por principados malignos, necessitando de salvação. Chega de absurdos! Chega de ver os nossos iguais pagando caro por cabeças de jumento ou esterco de pombas! Chega de ver vidas humanas cozidas pela loucura da perdição! Nós temos o mapa da mina, hoje é dia de boas-novas! Não fazemos bem, se nos calarmos. Não fazemos bem se não ocuparmos os lugares que um dia estiveram nas mãos do inimigo, mas agora esperam pela nossa coragem.
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