Nada se compara ao prazer de sermos instrumentos nas mãos do Todo-Poderoso! Quando estamos diante da missão de sair e encontrar os "filhos da paz", nenhum argumento deve ser maior que este em nosso coração.
“Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!” (Lucas 10:17)
Depois de cumprirem sua missão, os setenta discípulos de Jesus voltaram “possuídos de alegria”. Essa é uma expressão bastante forte. Numa outra tradução diz “cheios de alegria”, o que também revela a intensidade do prazer que havia em seus corações após terem vencido o desafio que o Senhor lhes propusera.
Às vezes ficamos paralisamos pelo medo ou pela timidez e não ousamos obedecer a Deus naquilo que Ele está nos enviando a fazer. Isso acontece porque consideramos os riscos em detrimento dos frutos. Pensamos negativamente, nos entregamos aos argumentos de nossa alma como falta de capacidade, falta de tempo e coisas do gênero e sequer tentamos fazer o que deve ser feito.
Num momento como o que estamos vivendo, quando o Espírito está nos dando a direção de lançarmo-nos ao evangelismo e sairmos a campo, batendo à porta dos corações em busca dos “filhos da paz”, precisamos encharcar a nossa mente com a motivação correta e permitir que os argumentos que realmente têm valor determinem nossa atitude.
Temos muitos motivos para dizer “sim” ao chamado de Deus. O primeiro deles é honrarmos ao Senhor obedecendo. Jesus, certa vez, confrontou algumas pessoas, indagando: “Porque me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” (Lc 6:46). Faz todo sentido, você não acha? Se Ele nos deu uma ordem, nos o desonramos em não obedecer. Isso já deveria ser suficiente para nos mover. Nossa fé não pode ser apenas de palavras, mas de atitude (leia a parábola que está em Mt 21:28-31). Quem vive o segredo da obediência tem primazia no reino de Deus.
Não pense, porém, que o ministério é uma carga pesada que temos que suportar em nome da fidelidade. Embora tenhamos desafios e lutas ao empreendermos as conquistas do reino, a verdade é que ser usados por Deus produz uma intensa alegria em nossas vidas.
Aqueles setenta discípulos que Jesus enviou eram novos convertidos, não tinham até então nenhuma experiência no contexto de pregar o evangelho. A tarefa não foi simples. Eles encontrariam muito trabalho (conf. Lc 10:2), pessoas difíceis (conf. Lc 10:3), portas fechadas (conf. Lc 10:10-11) e resistências demoníacas (conf. Lc 10:17b). No entanto, eles não colocaram os olhos nisso, mas ousaram obedecer. E qual foi o resultado? “Voltaram os setenta possuídos de alegria” (Lc 10:17a). Depois de terem enfrentado todas as adversidades e vencido seus próprios receios, eles estavam cheios de prazer, pois a sensação de ser um instrumento nas mãos de Deus é maravilhosa! E perceba que a experiência de voltar assim, cheios de gozo, não foi apenas de alguns, mas de todos os que obedeceram ao Senhor.
Quando você serve pelo prazer de servir, sua vida tem um poder sobrenatural. A alegria do Senhor é a nossa força (conf. Ne 8:10b). O próprio Jesus “suportou a cruz em troca de uma alegria que lhe estava proposta” (conf. Hb 12:2).
Mas porque a obediência gera tanto prazer? Em primeiro lugar porque a colheita traz em si um sentimento de realização (leia Sl 126:6 e III Jo 1:4). Pessoas que têm um coração em Deus se entusiasmam com os frutos. Veja o caso de Barnabé. Ele foi enviado pelos apóstolos de Jerusalém para Antioquia. Lá, num campo virgem, num tempo em que os crentes estavam sofrendo dura perseguição, ele viu muitas pessoas se convertendo. E qual foi sua reação? “Vendo a graça de Deus, alegrou-se” (conf. At 11:22-23). Homens e mulheres apaixonados por Deus têm prazer em ver a colheita! Apenas os que estão com o coração frio e cheio de egoísmo, como o profeta Jonas (leia Jn 3:10; 4:1), não participam desse gozo celestial que até os anjos sentem quando pecadores recebem a salvação (veja Lc 15:10).
Esse prazer tem motivo. Além de nos sentirmos úteis na mãos de Deus e vermos que o nosso esforço teve recompensa, quando anunciamos o evangelho infligimos uma derrota ao reino das trevas. Os setenta voltaram para Jesus, entusiasmados, dizendo: “Senhor, em teu nome até os demônios se nos submetem” (Lc 10:17b). E a resposta de Jesus foi mais impressionante ainda: “Eu via a Satanás cair do céu como relâmpago” (Lc 10:18). Ou seja, quando pregamos o evangelho, quando conquistamos casas para Deus, não só os demônios que ali atuavam são vencidos, mas o próprio Satanás é derrubado! Isso não é uma vingança maravilhosa? Nós, que um dia fomos fustigados pelo reino das trevas e que vemos o diabo produzindo tanta miséria em nossa geração, podermos estabelecer um vitória contra ele e conquistar o território que estava em suas mãos!
A salvação tem um valor imensurável. Jesus disse àqueles discípulos fiéis: “Mas não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos céus” (Lc 10:20). Em outras palavras, ter o nosso nome inscrito no livro da vida é um argumento maior que todos. Agora, imagine sermos instrumentos para escrever o nome de outras pessoas lá no rol da salvação!!! Foi por isso que Jesus não se conteve ao encerrar aquele momento. Diz a Bíblia: “Naquela mesma hora, se alegrou Jesus no Espírito Santo e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve” (Lc 10:21).
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