O líder de sucesso é aquele que forma outros líderes e os habilita para a mesma tarefa. Paulo teve seu progresso ministerial decorrente desta percepção. Vamos aprender com ele as chaves do discipulado.
1. DISCIPULADO E EQUIPE SÃO A BASE DA VISÃO – A não ser que ponhamos esse tema como foco central do nosso ministério, nunca construiremos uma igreja na visão do Novo Testamento.
2. O POTENCIAL DO MINISTÉRIO DE UM LÍDER NA VISÃO É DIRETAMENTE PROPORCIONAL À SUA HABILIDADE DE FAZER DISCÍPULOS – Nosso ministério terá tão curto alcance quanto menor for nossa capacidade e dedicação em formar discípulos.
3. TER CÉLULAS QUE SE MULTIPLICAM E NÃO LEVANTAR LÍDERES CONFIÁVEIS PARA ADMINISTRÁ-LAS É ENTRAR NUM JOGO FRUSTRANTE DE PERDE-E-GANHA – A formação de liderança confiável é o único caminho viável e sadio para a multiplicação.
4. PAULO FOI MUITO MAIS UM “FAZEDOR DE DISCÍPULOS/EQUIPES” DO QUE UM MINISTÉRIO CARISMÁTICO E CENTRALIZADOR – Sua grande virtude foi multiplicar-se, já que sua presença pessoal era fraca e sua palavra às vezes classificada como “desprezível”. Portanto, seu grande sucesso baseou-se num testemunho irrepreensível, no desempenho do ministério sob uma unção sobrenatural e, especialmente, na dedicação à tarefa do discipulado com vistas a levantar novos líderes.
VAMOS VAZER UM ESTUDO DIRIGIDO DE SUA RELAÇÃO COM TIMÓTEO, UM DISCÍPULO QUE ELE FORMOU PARA O MINISTÉRIO, E ENTENDER O QUE PAUTADA ESSA RELAÇÃO DE DISCIPULADO TÃO BEM SUCEDIDA...
VAMOS FAZER ISSO ATRAVÉS DE UM ESTUDO DIRIGIDO DAS DUAS CARTAS DE PAULO AO SEU DISCÍPULO, PROCURANDO ENTENDER DUAS COISAS FINDAMENTAIS: 1) A RELAÇÃO PESSOLA DE PAULO COM TIMÓTEO; 2) AS ÁREAS CHAVES DO DISCIPULADO
1. A RELAÇÃO PESSOAL COM O DISCÍPULO – O nosso primeiro ângulo será o relacionamento em si, pois discipulado é, antes de tudo, relacionamento.
1.1. SEGURANÇA QUANTO À POSIÇÃO DAQUELE QUE SE PROVA FIEL - I Tm 1:1-2 e II Tm 1:1-2 – A relação que se busca no discipulado não é uma relação de chefe e subalterno, mas uma relação de pai e filho. Obviamente esse é um caminho a ser conquistado no relacionamento. No caso de Paulo, ele chamou Timóteo para andar consigo em Listra, mas uma vez se provando um discípulo, Paulo faz questão de assumi-lo como “verdadeiro filho”, dando-lhe a segurança de um lugar o seu coração.
I Timóteo 1: (1) Paulo, apóstolo de Cristo Jesus segundo o mandado de Deus nosso Salvador e de Cristo Jesus nossa esperança,(2) a Timóteo, meu verdadeiro filho na fé: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e da de Cristo Jesus nosso Senhor.
II Timóteo 1: (1) Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, segundo a promessa da vida que é em Cristo Jesus, (2) ao muito amado filho Timóteo: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e da de Jesus Cristo nosso Senhor.
1.2. INICIATIVA EM BUSCAR SEMPRE A PROXIMIDADE – I Tm 3:14-15 e II Tm 1:4 – Mesmo diante da correria do ministério, e já numa fase em que Timóteo tem certa maturidade, Paulo ainda busca o contato e faz questão de explicitar essa iniciativa... No começo, levou Timóteo consigo em suas viagens.
I Timóteo 3: (14) Estas coisas te escrevo, ainda que espero em breve ir ter convosco; (15) mas se eu tardar, para que saibas como se deve proceder na casa de Deus, a qual é a igreja do Deus vivo, coluna e apoio da verdade.
II Timóteo 1: (4) Lembrado das tuas lágrimas, estou ansioso por ver-te, para que eu transborde de alegria.
1.3. EQUILÍBRIO ENTRE FIRMEZA E CORTEZIA – I Tm 1:3,18a – Paulo começou “rogando”, mas depois dá “ordens”. Na verdade, deve haver o conceito de progressão e equilíbrio entre essas duas posturas. Jesus, avança até chamar seus discípulos de amigos, mas deixa claro que nessa relação de discipulado, amigo é quem obedece.
I Timóteo 1: (3) Como te roguei que ficasses em Éfeso, quando eu partia para Macedônia, para admoestares a alguns que não ensinassem doutrina diversa, (18) Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia.
1.4. OFERTA DO SEU MODELO DE TESTEMUNHO E DEDICAÇÃO COMO BASE PARA A FIDELIDADE DO DISCÍPULO – II Tm 1:12-14; 2:3; 3:10-11 – Paulo não apenas exigia resultados e padrão, mas o fazia sob a autoridade e o modelo de seu testemunho pessoal, que ele procurava demonstrar todo o tempo aos seus discípulos.
II Timóteo 1: (12) Por esta razão sofro também estas coisas, mas não me envergonho, porque sei a quem tenho crido e estou persuadido de que ele pode guardar o meu depósito até aquele dia. (13) Conserva o modelo de sãs palavras que de mim ouviste na fé e no amor que há em Cristo Jesus. (14) Guarda o bom depósito com o auxílio do Espírito Santo que habita em nós.
II Timóteo 2: (3) Sofre comigo como bom soldado de Cristo Jesus.
II Timóteo 3: (10) Tu, porém, seguiste de perto o meu ensino, procedimento, intenção, fé, longanimidade, amor, perseverança, (11) as minhas perseguições e sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra; quais as perseguições que sofri; e como de todas elas me livrou o Senhor.
1.5. ADOÇÃO DE UMA POSTURA HONESTA NO RELACIONAMENTO, QUEBRANDO O SOFISMA DO “SUPER-HOMEM” – II Tm 4:9-18 - Embora se apresentasse como modelo, não se apresentava como intocável ou homem sem problemas e sentimentos. Paulo compartilha suas angústias e necessidades, é honesto, mas não permite que isso descambe ao nível de uma “transferência de frustrações”. Seu tom é positivo!
II Timóteo 4: (9) Procura vir ter comigo breve; (10) pois Demas me abandonou, tendo amado o mundo presente, e foi para Tessalônica; Crescente para a Galácia, Tito para a Dalmácia; (11) só Lucas está comigo. Toma contigo a Marcos e traze-o, porque me é útil para o ministério. (12) Mas a Tíquico enviei-o a Éfeso. (13) Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade na casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. (14) Alexandre, o latoeiro, me tem feito muito mal; o Senhor lhe recompensará segundo as suas obras (15) - tu também guarda-te dele - porque ele resistiu muito às nossas palavras. (16) Ninguém esteve ao meu lado na minha primeira defesa, pelo contrário todos me desampararam; que isto não lhes seja imputado. (17) O Senhor, porém, esteve ao meu lado e me confortou, para que fosse por mim cumprida a pregação, e ouvissem todos os gentios. E fui livre da boca do leão. (18) O Senhor me livrará de toda a obra má e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele seja dada glória pelos séculos dos séculos. Amém.
1.6. ATENÇÃO AO DISCÍPULO COMO PESSOA E NÃO SÓ COMO OBREIRO – I Tm 4:16; 5:23 – O discípulo tem “cuidado de si mesmo e da doutrina” quando seu discipulador revela o mesmo foco, tratando dele como um pessoa e não apenas como um líder.
I Timóteo 4: (16) Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes.
I Timóteo 5: (23) Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades.
1.7. VERBALIZAÇÃO DE VIRTUDES DO DISCÍPULO E EMPATIA POR SUA VIDA PESSOAL E FAMILIAR – II Timóteo 1:4-5 – Paulo faz questão de colocar em relevo a fé sincera de Timóteo e de apontar isso como uma herança familiar, demonstrando conhecimento da história daquele parceiro. Exemplo: Jesus começa sua relação de discipulado com Pedro entrando em sua casa e curando sua sogra.
II Timóteo 1: (4) Lembrado das tuas lágrimas, estou ansioso por ver-te, para que eu transborde de alegria (5) pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti.
1.8. EXERCÍCIO DE UMA COBERTURA DE ORAÇÃO EXPLÍCITA E COMPROMETIDA PELO AMOR – II Tm 1: 3– Paulo não só verbaliza seu compromisso de cobrir constantemente o discípulo em oração, como atrela isso ao argumento da afetividade. Ou seja, não fazia só porque tinha uma obrigação de fazer. Exemplo: Moisés em cima do monte, sustentando com os braços erguidos a vitória de Josué em Refidim... Quem está no corpo a corpo por nós, merece e precisa desse respaldo!
II Timóteo 1: (3) Dou graças a Deus, a quem, desde os meus antepassados, sirvo com consciência pura, porque, sem cessar, me lembro de ti nas minhas orações, noite e dia.
1.9. ÊNFASE NOS RELACIONAMENTOS, MOSTRANDO SEMPRE O VALOR DA EQUIPE E DAS OUTRAS PESSOAS – II Tm 4:19-21 – Apesar de toda a valorização que explicitava aos seus discípulos fiéis, Paulo não permitia que eles se sentissem exclusivos. Havia sempre o cuidado de revelar o valor também dos outros, estimulando o espírito de equipe e combatendo o espírito de ciúmes e autossuficiência.
II Timóteo 4: (19) Saúda Prisca, e Áqüila, e a casa de Onesíforo. (20) Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto. (21) Apressa-te a vir antes do inverno. Êubulo te envia saudações; o mesmo fazem Prudente, Lino, Cláudia e os irmãos todos.
1.10. ESTABELECIMETO DO PADRÃO DE INTEGRIDADE NA RELAÇÃO DO DISCIPULADO – I Tm 5:21 – Ao “conjurar” Timóteo solenemente, Paulo está exigindo uma relação sem reservas (sem prevenção) e estabelecida sobre as bases da integridade (oposto de parcialidade). Embora, como em todas as demais áreas, este seja também um caminho de conquista no relacionamento, precisa ficar claro ao discípulo que o verdadeiro discipulado só é possível nessas bases.
I Timóteo 5: (21) Conjuro-te diante de Deus, e de Cristo Jesus, e dos anjos eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo com parcialidade.
2. AS ÁREAS CHAVES DO DISCIPULADO – A partir de um relacionamento bem estabelecido, Paulo desenvolveu o discipulado propriamente dito, dando atenção à áreas chave na formação de Timóteo. Uma vez ganho seu coração e confiança, podia operar nele as mudanças e o amadurecimento necessário.
2.1. INCENTIVO AO MINISTÉRIO DA PALAVRA COM O OBJETIVO DE FORMAR LÍDERES – I Tm 4:13,15 e II Tm 2:1-2,15 – A ênfase na dedicação à Palavra era levada à insistência, mesmo na vida de um evangelista como Timóteo. Esse conhecimento não era buscado para “inchar”, mas usado como ferramenta essencial na formação de novas gerações de líderes e autenticação do ministério, pois o obreiro que não maneja bem a palavra da verdade passa vergonha e essa habilidade só é desenvolvida pela dedicação.
I Timóteo 4: (13) até que eu vá, aplica-te à leitura, à exortação, e ao ensino. (15) Ocupa-te destas coisas, dedica-te inteiramente a elas, para que o teu progresso seja manifesto a todos.
II Timóteo 2:(1) Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus; (2) e o que de mim ouviste de muitas testemunhas, transmite-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros. (15) Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.
2.2. INDICAÇÃO DE UMA VIDA DE TESTEMUNHO COMO FONTE DE AUTORIDADE PÚBLICA – I Tm 4:12 – Paulo não iludia Timóteo quanto à conquista do respeito e admiração da igreja. O incentivava a não aceitar rótulos que pudessem desqualificá-lo (como sua pouca idade), mas mostrava que o reconhecimento viria a partir de seu testemunho e da demonstração de suas qualificações. Um discípulo precisa saber que um título não recomenda ninguém por muito tempo.
I Timóteo 4: (12) Ninguém despreze a tua mocidade, mas torna-te exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.
2.3. COBRANÇA DE DEDICAÇÃO DENTRO DOS DONS E COMISSIONAMENTOS QUE O DISCÍPULO RECEBE – I Tm 4:14-15 – Reconhecer o dom que está sobre o discípulo e cobrar sua dedicação dentro das áreas que Deus o chamou, sem deixá-lo acomodar-se ou viajar por áreas que não lhe competem fazem parte do papel do discipulador, evitando assim frustrações desnecessárias.
I Timóteo 4:(14) Não negligencies o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbítero. (15) Ocupa-te destas coisas, dedica-te inteiramente a elas, para que o teu progresso seja manifesto a todos.
2.4. ENSINO DO EXERCÍCIO DA AUTORIDADE COM O FILTRO DO RESPEITO – I Tm 5:1-5; II Tm 2:23-26 – Paulo sabia que o exercício correto da autoridade é um dos maiores desafios para o líder novo. Sua tendência será quase sempre a da imposição. Por isso a preocupação do apóstolo em ensinar seu discípulo a não confundir autoridade com superioridade e desrespeito.
I Timóteo 5: (1) Não repreendas asperamente a um velho, mas admoesta-o como a um pai; aos moços, como a irmãos; (2) às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza. (3) Honra as viúvas que são verdadeiramente viúvas. (4) Mas, se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam eles primeiro a exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar seus progenitores; porque isto é agradável a Deus. (5) Ora, a que é verdadeiramente viúva e desamparada espera em Deus, e persevera de noite e de dia em súplicas e orações;
II Timóteo 2: (23) E rejeita as questões tolas e desassisadas, sabendo que geram contendas; (24) e ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser brando para com todos, apto para ensinar, paciente; (25) corrigindo com mansidão os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade,
2.5. ENCORAJAMENTO E QUEBRA DE COMPLEXOS - II Tm 1:6-8 – Discípulos precisam ser ajudados a vencer suas cadeias de alma. No caso de Timóteo, parece que a timidez era a principal. Por isso, Paulo o encoraja a romper, tocando nos pontos em que ele precisa de um “empurrão” para não ficar estagnado.
II Timóteo 1: (6) Por esta razão te lembro que despertes o dom de Deus, que há em ti pela imposição das minhas mãos. (7) Porque Deus não nos deu o espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação. (8) Portanto não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa comigo dos sofrimentos do evangelho segundo o poder de Deus,
2.6. ATENÇÃO À VIDA FINANCEIRA DO DISCÍPULO – I Tm 6:6-11 – O cuidado em formar ministros desprovidos de ambição se revela em palavras como estas. Paulo sabia que o trato com o dinheiro é uma das bases mais importantes da vida de um homem, em especial de um líder. Por isso, ensinava com objetividade e firmeza sobre isso e dava seu próprio exemplo.
I Timóteo 6: (6) e, de fato, é grande fonte de lucro a piedade com o contentamento. (7) Porque nada trouxe para este mundo, e nada podemos daqui levar; (8) tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes. (9) Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição. (10) Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. (11) Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.
2.7. CUIDADO ESPECIAL COM AS ÁREAS DE VULNERABILIDADE DO DISCÍPULO – II Tm 2:22 – Timóteo era um jovem, com as vulnerabilidades comuns à sua idade, Por isso seu líder trata de tomar a iniciativa de guiá-lo naquilo que poderia roubar-lhe o coração, no caso, as paixões da mocidade.
II Timóteo 2: (22) Foge também das paixões da mocidade, e segue a justiça, a fé, o amor, a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.
Ribeirão Preto SP - CEP 14055-100 - Fone: +55 16 3633-5957
comcrist@comcrist.org Desenvolvido por Atual Interativa